Após ataque em Viena, Áustria quer ‘reforma’ na agência de inteligência

Relatório indica que órgão foi avisado sobre possível ataque, que ocorreu em novembro, e não agiu para evitá-lo
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O governo da Áustria prometeu uma “reforma radical” na agência de inteligência após a publicação de um relatório sobre o “fracasso” na resposta ao ataque terrorista que feriu 23 pessoas e matou quatro no último dia 2 de novembro, na capital Viena.

O ministro do Interior, Karl Nehammer, disse na quarta-feira (10) que dobrará o tamanho da operação antiterrorismo do país. Ele também prometeu uma nova legislação de segurança nacional, segundo o britânico “Financial Times”.

Conforme o documento, o BVT (Escritório Federal Contraterrorismo, em alemão) já havia sido informado da possibilidade do ataque pela vizinha Eslováquia. O relatório aponta uma série de falhas no manejo do atentado, classificado como o pior em décadas.

Áustria promete 'reforma radical' em inteligência após fracasso em ataque
Homenagem às vítimas do atentado de novembro de 2020 na capital austríaca, Viena (Foto: Bwag/Commons)

Meses antes do atentado, o mentor do ataque, Kujtim Fejzullai, 20, foi detectado tentando comprar munição no país vizinho. Além disso, o BVT não manteve nenhum banco de dados para agregar informações sobre ameaças potenciais.

O relatório de 29 páginas aponta ainda que o BVT demorou muito até concluir a avaliação de Fejzulai como uma ameaça de segurança pública. O jovem já havia cumprido pena de prisão por tentar viajar à Síria e se juntar ao Estado Islâmico.

Agressor já havia sido preso

Um tribunal austríaco libertou Fejzulai no final de 2019 e não solicitou que os países vizinhos fossem advertidos sobre suas atividades, apontou a agência de notícias AFP, que teve acesso ao material.

Havia ainda um quadro de “comunicação caótica” e “rivalidade” no órgão de segurança da Áustria, o que dificultou ações que neutralizassem o terrorista antes do ataque.

“O BVT foi um fracasso e deve ser reorganizado de cima para baixo”, defendeu o vice-chanceler Werner Kogler ao portal The Local.

No momento do atentado, Fejzullai estava armado com rifle, revólver e facão. Ele iniciou o ataque por volta das oito da noite, horas antes do início de um lockdown para conter o avanço da Covid-19. Pouco depois, investiu contra pessoas em bares e restaurantes. Fejzullai foi alvejado pela polícia.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.

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