Coronavírus

Ano começa com protestos anti-lockdown em cerca de 20 países

Holanda, onde houve primeiro toque de recolher desde a II Guerra, manifestações foram marcadas por violência

Pelo menos 18 países que mantêm restrições para conter a disseminação da Covid-19 vivem uma onda de protestos anti-lockdown. As informações estão em um levantamento da emissora catari Al-Jazeera.

Na Europa, as manifestações ganharam maior proporção na Holanda. Já são mais de 240 presos por desobedecer o toque de recolher – o primeiro desde a Segunda Guerra Mundial –, imposto em 23 de janeiro.

Na cidade costeira de Urk, no noroeste do país, manifestantes incendiaram um centro de testagem de Covid-19 e atiraram fogos de artifício contra a polícia. Há registro de saques e incêndio de veículos em diversas regiões do país.

Ano inicia com protestos anti-lockdown em cerca de 20 países
Manifestantes em protestos anti-lockdown em Toronto, Canadá, em abril de 2020 (Foto: WikiCommons/Michael Swan)

Jovens ligados à teoria conspiratória da extrema direita QAnon lideravam o protesto. Na Holanda, o bloqueio total devido à Covid-19 durou 49 dias – muito menos que países como Bolívia e Peru, que mantiveram as restrições por mais de 300 dias.

Outros países europeus, como Áustria, Bélgica, Hungria, Irlanda e Espanha registram protestos anti-lockdown menos violentos em seus territórios. Os governos desses países impuseram bloqueios de 120 a 195 dias.

O mesmo ocorre na Alemanha, Reino Unido e República Tcheca, onde as restrições vigoraram entre 70 e 95 dias. O único país que registra protestos sem qualquer bloqueio nacional é a Dinamarca. O país apenas recomendou o isolamento.

Oriente Médio

Já no Oriente Médio, as movimentações anti-lockdown agitam Trípoli, a segunda maior cidade do Líbano. Os manifestantes denunciam a falta de auxílio contra a profunda crise pela qual passa o país, associadas às restrições de circulação.

Os confrontos em com a polícia já deixaram mais de 200 pessoas feridas. Um manifestante morreu nos conflitos. Beirute vive um caos político, econômico e agora sanitário que se acentuou desde a explosão do porto da cidade, em agosto de 2020.

No vizinho Israel, manifestantes ultra-ortodoxos desobedecem as restrições impostas pelo governo para barrar os contágios por Covid-19 no país. O bloqueio nacional atinge rodovias e aeroportos e a restrição de Tel Aviv foi de 233 dias.

Outros conflitos de menor impacto também foram registrados no Canadá e na Nova Zelândia.

Bloqueios

Desde o início da pandemia, cerca de 100 países impuseram bloqueios em todo o mundo. Confira quais foram as maiores e menores restrições entre 16 de janeiro de 2020 e 15 de janeiro de 2021.

  • Os países com as maiores restrições de circulação foram a Bolívia e Peru, com 320 dias e 307 dias, respectivamente.
  • Na lista estão ainda a Argentina (303 dias), Venezuela (302 dias), El Salvador (301 dias) e Índia (300 dias).
  • Outros países fecharam suas fronteiras entre 250 e 299 dias. Entre eles está a Argélia, Nigéria, China, México e Líbia.
  • O Brasil somou 256 dias de bloqueios.
  • Os EUA promoveram restrições por 201 dias.
  • Suíça, Costa do Marfim, Etiópia, Japão, Suécia, Turcomenistão e Ucrânia são os países que, assim como a Dinamarca, não oficializaram nenhum bloqueio nacional, mas recomendaram o isolamento social.
  • Burundi, Belarus, Islândia, Nicarágua, Taiwan e Tanzânia não determinaram qualquer restrição ou recomendação nacional contra o vírus.