Europa

Justiça da Bulgária acusa seis militares do país de espionagem em favor da Rússia

Grupo coletou documentos referentes sobretudo à Otan e à União Europeia (UE) que mais tarde foram entregues à embaixada da Rússia

Seis militares búlgaros foram formalmente acusado pela Justiça do país, na quinta-feira (18), de espionagem em favor da Rússia. Eles teriam coletado informações confidenciais posteriormente repassadas a Moscou, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

O grupo de espiões inclui um ex-oficial sênior do serviço de inteligência militar da Bulgária, altos funcionários do Ministério da Defesa e um ex-adido militar que supervisionou informações confidenciais no parlamento local.

Justiça da Bulgaria acusa seis militares do país de espionagem em favor da Rússia
Os presidentes da Bulgária, Rumen Radev, e da Rússia, Vladimir Putin, em maio de 2018 (Foto: Wikimedia Commons)

Cinco dos seis acusados estão presos desde março e só agora conheceram os termos legais do indiciamento. O sexto indivíduo foi libertado depois de pagar fiança. As penas para acusados de espionagem no país europeu variam de dez anos de detenção até a prisão perpétua.

Os promotores encarregados do caso acusam o ex-oficial da inteligência de liderar o bando. Ele estudou em uma escola do GRU, o serviço de inteligência militar da Rússia, e na volta à Bulgária teria recrutado os demais indivíduos. Eles recolheram documentos referentes sobretudo à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e à União Europeia (UE) que mais tarde foram entregues à embaixada da Rússia pela mulher do líder, que tem dupla nacionalidade.

Crise diplomática

Desde outubro de 2019, a Bulgária expulsou seis diplomatas russos por suspeita de espionagem no país. Na era soviética, o país dos Balcãs era grande aliado de Moscou, e hoje a Rússia é o maior fornecedor de energia para os búlgaros.

A crise diplomática entre Sófia e Moscou explodiu após um relatório da inteligência búlgara apontar que dois agentes russos estavam envolvidos em explosões de depósitos de armas na Bulgária e na República Tcheca, em 2014.

À época, o primeiro-ministro tcheco Andrej Babis anunciou “evidências inequívocas” de que o ataque foi provocado pelos mesmos dois agentes acusados de atacar o ex-oficial de inteligência russo Sergei Skripal, em 2018, no Reino Unidos.