Europa

UE fala em adotar ‘medidas’ contra a Rússia em resposta a ataques cibernéticos

Bloco acusa o Kremlin de estar por trás das tentativas de invadir contas pessoais. Caso mais recente ocorreu às vésperas da eleição alemã

A União Europeia (UE) afirmou que considera adotar “posteriores medidas” contra a Rússia em virtude dos ataques cibernéticos cometidos supostamente por ordem do Kremlin. O bloco se manifestou em comunicado publicado em seu site, na esteira de ações de hackers contra a autoridade eleitoral da Alemanha.

“Alguns Estados-Membros da UE constataram a ocorrência de ciberatividades maliciosas, coletivamente designadas por ‘Ghostwriter’, e associaram-nas ao Estado russo. Tais atividades são inaceitáveis, uma vez que é seu objetivo ameaçar a nossa integridade e segurança, os nossos valores e princípios democráticos e o funcionamento básico das nossas democracias”, diz o documento.

De acordo com a UE, os referidos ataques digitais foram empreendidos contra deputados, funcionários do Estado, personalidades da política, da imprensa e da sociedade civil da UE”, com objetivo de invadir contas pessoas e roubar dados. O bloco acusa Moscou de agir para “comprometer as nossas instituições e processos democráticos, nomeadamente favorecendo a desinformação e a manipulação de informações”.

UE fala em adotar 'medidas' contra a Rússia após ataques cibernéticos
Angela Markel e Vladimir Putin: espionagem e crimes cibernéticos prejudicam relação entre os países (Foto: Wikimedia Commons)

Em agosto, Berlim confirmou que um ataque cibernético interrompeu o site da autoridade responsável pelas eleições gerais realizadas neste domingo (26). O caso foi o primeiro de uma série de situações que levaram o governo a abrir uma investigação para apurar possíveis ações da Inteligência russa contra políticos locais.

“No final de agosto, o site da Comissão Nacional de Eleições [Der Bundeswahlleiter] teve acessibilidade limitada por apenas alguns minutos devido a um mau funcionamento”, disse o porta-voz do órgão quando questionado sobre o relatório do ciberataque.

Votação encerrada

O pleito alemão foi realizado normalmente no domingo, e o resultado apontou pequena vantagem para o Partido Social Democrata (SPD, da sigla em alemão), com 25,7% dos votos. A União Cristã Democrata (CDU, da sigla em alemão), sigla da chanceler Angela Merkel, ficou em segundo, com 24,1%.

Com a diferença pequena, as siglas rivais trabalham para formar uma coalizão de partidos e, assim, definir qual dos dois terá maioria no Parlamento. Olaf Scholz, líder do SPD, e Armin Laschet, que comanda a CDU, são os candidatos naturais à vaga de Merkel. As negociações devem levar semanas, com a possibilidade de um novo governo se formar somente às vésperas do Natal.

Por que isso importa?

A empresa norte-americana Prevailion, especialista em inteligência cibernética e segurança digital, divulgou no início deste mês informações sobre os hackers do UNC1151, um dos grupos acusados de atuar a serviço do Kremlin. A constatação é de que eles são muito mais poderoso do que se imaginava, o que reforça as suspeitas de apoio estatal para manutenção de tamanha infraestrutura. 

O UNC1151 é responsável por uma campanha de atividades maliciosas em andamento em toda a Europa, inclusive a ação contra a Alemanha, batizada Ghostwriter. São atividades que envolvem campanhas de desinformação contra a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), espionagem cibernética e operações de hack e vazamento de dados com viés político.

Duas agências governamentais russas estariam por trás do recrutamento: a FSB (Agência de Segurança Federal, da sigla em inglês) e o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeira, da sigla em inglês).