Oriente Médio

Dissidentes exilados da Arábia Saudita formam grupo pró-democracia

Objetivo é pressionar uma reforma política na monarquia saudita; em tentativas anteriores, membros foram presos

Um grupo de dissidentes exilados da Arábia Saudita anunciou nesta quarta (23) que negocia a formação de um partido pró-democracia. O objetivo é pressionar por uma reforma política no país, informou a Reuters.

Entre os membros do partido, denominado como Partido da Assembleia Nacional, estão Abdullah al-Awdah, chefe do grupo de direitos humanos saudita sediado no Reino Unido, o filho do pregador muçulmano Salman al-Awdah e outros acadêmicos.

A Arábia Saudita é governada em um sistema de monarquia absolutista, com fortíssima repressão e controle rígido por parte do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de facto do país.

O maior exportador de petróleo do mundo, e parceiro ocidental de longa data, não tem Parlamento eleito ou qualquer partido político. Perseguições a jornalistas, oponentes e membros considerados inconvenientes da gigantesca família real são perseguidos de forma implacável.

Dissidentes exilados da Arábia Saudita formam grupo pró-democracia
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, durante encontro com o ex-secretário da Defesa dos EUA, Ash Carter, em Riad, abril de 2016 (Foto: Defense U.S./Adrian Cadiz)

Em 2007 e 2011, grupos tentaram se mobilizar politicamente no estado do Golfo, mas os membros foram presos. “O espaço para a política ficou bloqueado em todas as direções”, afirmou Abdullah. “Buscamos por uma mudança pacífica para combater a violência e repressão do Estado”.

Questionado, o governo saudita não respondeu à Reuters. Em outras ocasiões, contudo, as autoridades do país negaram qualquer denúncia de abuso ou violações a direitos humanos.

Irã na mira

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), na última terça (22), o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz, pediu por “soluções abrangentes” para conter o Irã de obter armas nucleares.

“Nossa experiência com o regime iraniano nos ensinou que soluções parciais e apaziguamento não impedem suas ameaças à paz e segurança internacional”, afirmou.

Segundo o monarca, o Irã vai explorar o fim do embargo de armas da ONU para intensificar a sua rede de terrorismo. A Arábia Saudita, de maioria sunita, e o Irã, xiita, travam conflitos indiretos em países do Oriente Médio.

O local mais afetado é o Iêmen, onde a disputa entre as tropas oficialistas, financiadas por Riad, e o movimento Houthi, que recebe fundos do Irã, divide o país há cinco anos.