Oriente Médio

China planeja ‘centro de vigilância’ com capacidade de guerra no Irã, diz site

Projeto faz parte do acordo de 25 anos entre China e Irã e seria contraponto a reforços militares da Otan

A China quer construir um centro de vigilância com capacidade de guerra no porto de Chabahar, no Irã. A implantação faz parte da próxima fase do acordo de 25 anos entre Beijing e Teerã, informou uma fonte próxima ao governo iraniano ao site Oil Price, no último dia 7.

De acordo com a reportagem, o centro ficará em um espaço de cinco mil quilômetros. A estrutura servirá como um sistema de vigilância em massa da população iraniana e obedecerá aos procedimentos operacionais chineses.

O objetivo é que, com o acordo, o Irã se torne um pilar essencial, em termos geográficos e políticos, ao projeto chinês do Cinturão da Rota da Seda. Em troca, o país governado por Hassan Rohani também deverá fornecer mão de obra às indústrias chinesas.

China quer construir 'centro de vigilância' com capacidade de guerra no Irã, diz site
O presidente chinês, Xi Jinping, e o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante as tratativas para o acordo de 25 anos entre os dois países em janeiro de 2016, na capital iraniana, Teerã (Foto: Gabinete do Supremo Líder do Irã)

Segundo informou a fonte, os sistemas de vigilância já serão implementados a partir da segunda semana de novembro. Antes disso, em outubro, oficiais do Irã e dos serviços de inteligência chineses deverão se reunir para definir um cronograma da obra.

Negócio fechado

No negócio, a China instalará cerca de 10 milhões de câmeras de videomonitoramento nas sete cidades mais populosas do Irã. Outras cinco milhões irão para outros 21 municípios. Todas, no entanto, estão interligadas com os principais sistemas de vigilância chineses, disse uma fonte iraniana.

“A estação poderá interceptar e monitorar os sistemas usados pelos membros da Otan [Organização do Tratado Atlântico Norte] e membros associados, incluíndo países amigos dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Israel”, disse a fonte.

Se não for postergado, como planeja os EUA, o fim do embargo das armas do Irã, no dia 18 de outubro, também pode ser uma oportunidade à China. Ao Oil Price, a fonte afirmou que o governo de Xi Jinping pretende aumentar a sua presença militar no Irã como parte do acordo.

China e Irã assinaram um acordo de ampliação tecnológica em troca de força de trabalho no ano passado. Além disso, Beijing também irá implementar um projeto para levar energia elétrica à ferrovia de 900 quilômetros entre Teerã e Mashhad, no nordeste do país.