No Líbano, líder do Hezbollah reclama de crítica de Macron a políticos locais

Segundo o líder xiita do Hezbollah, Hassan Nasrallah, pressão de francês seria "atentado à dignidade" libanesa
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A culpa do status de “Estado falido” do Líbano não é só dos políticos locais, disse o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, ao jornal norte-americano “Washington Post” na terça (29).

Nasrallah respondeu ao presidente francês Emmanuel Macron, que acusou os líderes libaneses de “traição coletiva”. “Eles escolheram favorecer seus interesses partidários e individuais em detrimento geral do país”, afirmou.

Macron pressiona as lideranças libanesas a iniciarem reformas profundas no país desde a explosão do porto de Beirute, em 4 de agosto.

Culpa do fracasso do Líbano não é só dos políticos locais, diz líder do Hezbollah
O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em visita ao Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, em setembro de 2019 (Foto: CreativeCommons)

No topo da lista está a formação de um gabinete de especialistas apartidários para implementar mudanças urgentes de contenção da crise econômica no país. Só em 2020, o declínio financeiro já deixou 75% da população na pobreza.

“Não aceitamos tal linguagem”, respondeu o líder xiita. “Damos boas vindas à iniciativa francesa de ajudar o Líbano, mas esses comentários infringem a dignidade do povo libanês”.

Risco de guerra civil

Macron afirmou que há possibilidade de uma nova guerra civil no Líbano caso os grupos políticos não deixem os “interesses pessoais e religiosos de lado” para desbloquear a ajuda internacional.

O presidente francês se refere à renúncia do então premiê, Mustafá Adib, no sábado (26). Adib deixou o poder após a exigência do Hezbollah em manter o Ministério de Finanças sob o controle xiita. “Temos cadeiras majoritárias no Parlamento. Nos marginalizar é antidemocrático”, diz Nasrallah.

A explosão do porto de Beirute descortinou a calamidade do Estado libanês. O país registra hoje a maior população per capita de refugiados do mundo, uma dívida pública da ordem de 175% do PIB (Produto Interno Bruto), longos cortes de energia elétrica e falta de alimentos.

Ainda não há previsão da posse de um novo primeiro-ministro ou de um grupo específico para mobilizar reformas no Líbano.

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