Mundo

Países formalizam acusação contra a China por ataque a servidores da Microsoft

O ataque seria de responsabilidade de quatro hackers que trabalham para o MSS (Ministério de Segurança do Estado chinês)

Uma aliança de países que engloba Otan e UE (União Europeia), além de Japão, Austrália e Nova Zelândia, formalizou acusação contra a China pelos ataques cibernéticos ocorridos em março contra servidores da plataforma de mensagens Microsoft Exchange. O ataque atingiu cerca de 250 mil servidores, expondo dados de governos e seus departamentos de defesa, empresas e organizações civis.

A invasão havia sido exposta imediatamente depois de ocorrida, e desde então a China era informalmente apontada como responsável. Porém, a aliança levou mais de quatro meses para formalizar a acusação, a fim de investigar o caso a fundo e produzir provas contra Beijing.

Daqui em diante, o objetivo dos países é unir esforços para combater a ameaça digital, através do compartilhamento de inteligência e tecnologia.

Países formalizam acusação contra a China por ataque a servidores da Microsoft
Ataque cibernético à Microsoft, em março de 2021, foi atribuído à China (Foto: Gen Kanai/Flickr)

Nesta segunda-feira (19), em comunicado divulgado pela Casa Branca, o presidente norte-americano Joe Biden citou nominalmente a China. Segundo ele, a aliança de países tem como objetivo “expor o uso de hackers criminosos pela RPC (República Popular da China) para conduzir operações cibernéticas não sancionadas em todo o mundo, inclusive para seu próprio lucro pessoal”.

Os autores do ataque teriam sido quatro hackers chineses pertencentes ao grupo Hafnium e vinculados ao MSS (Ministério de Segurança Estatal da China, da sigla em inglês). Segundo Washington, não se trata de um caso isolado, e sim de “uma campanha de vários anos visando governos e entidades estrangeiras em setores-chave, incluindo marítimo, aviação, defesa, educação e saúde em pelo menos uma dúzia de países”.

Diferente do que ocorreu com a Rússia, também acusada de patrocinar ataques cibernéticos, o governo dos EUA não impôs sanções financeiras ou comerciais imediatas à China, segundo a rede norte-americana CNBC. Mas essa hipótese não está descartada, segundo a Casa Branca.

O Reino Unido, por sua vez, listou uma série de grupos hackers ligados ao MSS e responsáveis por ataques com objetivo políticos e comerciais. Segundo o jornal britânico Independent, as invasões digitais atingiram empresas do setor de defesa na Europa e nos EUA, políticos e outros críticos de Beijing e o parlamento da Finlândia.

Os hackers também teriam atuado para manipular eleições em países vizinhos à China e em nações cujos governos se opõem ao programa Nova Rota da Seda, que o governo chinês usa como arma de manipulação financeira por meio da oferta de empréstimos globais.

Resposta chinesa

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, as acusações “são simplesmente um velho truque político jogado de vez em quando por um pequeno grupo de países ocidentais obcecados em demonizar a China e conter seu desenvolvimento”. O texto equipara o episódio às acusações de abusos humanos em Xinjiang que pesam contra a China e diz que “o boato político apenas atrapalhará os esforços do mundo para aumentar a segurança cibernética”.

A China ainda acusa os EUA de empreenderem ataques cibernéticos. “A maioria dos ataques na internet contra redes chinesas no ano passado teve origem nos Estados Unidos”, diz o texto, que prossegue. “O antivírus chinês Qihoo 360 também revelou no ano passado que os hackers da CIA (Agência Central de Inteligência, da sigla em inglês) se envolveram em um programa de ataque e infiltração cibernética de 11 anos contra o setor de aviação da China, organizações de pesquisa científica, empresas de internet e agências governamentais”.