Comércio Exterior

Empresas russas suspeitas de ligação com ataques cibernéticos são punidas pelos EUA

Washington impôs sanções financeiras às empresas em meio às acusações de envolvimento de Moscou com grupos de hackers

Em meio às acusações direcionadas a Moscou de estar por trás dos recentes ataques cibernéticos contra empresas e o próprio governo dos EUA, Washington impôs sanções financeiras a seis empresas russas da área de tecnologia. As informações são da agência Reuters.

“Há motivo razoável para acreditar, com base em fatos específicos e articuláveis, que as entidades estiveram envolvidas, estão envolvidas ou representam um risco significativo de serem ou se envolverem em atividades contrárias à segurança nacional ou aos interesses da política externa dos Estados Unidos”, diz um comunicado do Departamento do Comércio dos EUA.

Encontro entre Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Joe Biden, presidente dos EUA, em junho de 2021 (Foto: Wikimedia Commons)

Com a punição, pessoas e empresas nos EUA ficam proibidas de negociar com as empresas listadas, sob pena de punição com base na legislação norte-americana. É proibido, ainda, investir em ações das empresas, que também ficam impedidas de contrair dívidas com financeiras norte-americanas com prazo superior a 90 dias.

Os Estados Unidos têm aumentado a pressão sobre a Rússia em meio aos seguidos ataques cibernéticos cometidos por grupos russos de hackers contra empresas e governos ocidentais. Os serviços de inteligência russos são acusados de dar suporte aos grupos de hackers, o que Moscou reiteradamente nega.

Na semana passada, um comunicado da Casa Branca citou a expectativa de que Moscou atuasse contra os invasores digitais. “O presidente Biden ressaltou a necessidade de a Rússia agir para interromper os grupos de ransomware que operam na Rússia e enfatizou que está comprometido com o envolvimento contínuo na ameaça mais ampla representada pelo ransomware“, disse o texto, citando os ataques em que hackers sequestram dados de empresas e governos e obram resgate pela devolução.

Prejuízo bilionário

Nas últimas semanas, inúmeros ataques ocorreram no mundo. No maior deles, hackers russos do grupo REvil exigiram US$ 70 milhões em bitcoin para restabelecer os dados roubados de centenas de empresas em diversos países.

Semanas antes, no final de junho, o alvo foi a Microsoft, que teve seu sistema invadido através do suporte ao cliente. Até mesmo os dois principais partidos políticos dos EUA, o Republicano e o Democrata, foram alvos de ataques, em julho deste ano e em 2016, respectivamente.

Em maio, a Microsoft já havia relatado ataques do grupo Nobelium contra 150 agências governamentais, think tanks, consultores e organizações não-governamentais nos EUA, bem como em mais de 20 países. De acordo com as autoridades norte-americanas, os hackers estão ligados ao SVR (Serviço de Inteligência Estrangeiro, da sigla em russo) da Rússia.

EUA pressionam Moscou e cobram ação contra os ataques de hackers russos
Hackers russos têm causado enorme prejuízo a empresas e governos em todo o mundo (Foto: Max Bender/Unplash)

A Microsoft, por sua vez, diz que o o grupo é o mesmo que realizou o sofisticado ataque hacker à empresa de softwares SolarWinds, em 2017, atingindo inclusive o governo dos Estados Unidos.

Entre 2015 e 2018, ataques promovidos por seis hackers russos causaram um prejuízo de mais de US$ 10 bilhões no mundo. Além de prejudicar empresas e redes elétricas na Europa, eles também estariam envolvidos em roubo de identidade e conspiração para fraude.

Uma das campanhas teria ocorrido em 2017, quando hackers invadiram uma rede elétrica ucraniana e vazaram informações para tentar interferir nas eleições francesas, apontam as acusações.

A dinamarquesa Maersk, do setor de logística, teve toda a sua operação prejudicada após um colapso na rede causado pelo malware impulsionado pelos russos. Outras empresas como a norte-americana FedEx, de transporte e remessas, e a farmacêutica alemã Merck também registraram prejuízos bilionários após invasões de sistemas digitais.

O grupo é procurado pelo FBI (Departamento Federal de Investigações, da sigla em inglês).