Segurança Internacional

Australiano que tentou ingressar no EI admite culpa e pode pegar prisão perpétua

Khaled Temssah foi preso após pesquisar no Google “como ingressar no Estado Islâmico” e de tentar comprar um fuzil

Khaled Temssah, um vendedor de carros usados ​​de Melbourne, na Austrália, admitiu ser culpado de “atividades hostis” em um tribunal australiano, na segunda-feira (30). Ele havia sido preso depois de fazer uma pesquisa no Google sobre “como ingressar no EI [Estado Islâmico]”, antes de tentar viajar para o exterior a fim de se unir ao movimento jihadista, informou a emissora local 9News.

O australiano de 31 anos, pai de dois filhos, poderá pegar prisão perpétua após se declarar culpado em audiência de confissão. Em 2019, ele tentou viajar para a região indiana da Caxemira, onde daria início ao processo de tentar integraria na organização extremista.

Ao efetuar as buscas na internet, sem saber, Temssah acabou fazendo contato com um policial disfarçado, a quem revelou seus planos de ir para o conflituoso território entre a Índia e o Paquistão. Lá, afirmou que gostaria de adquirir um fuzil russo AK-47, gabando-se de ser um “caçador habilidoso”.

Australiano que tentou ingressar no EI admite culpa e pode pegar prisão perpétua
Vendedor de carros admitiu que se preparava para viajar ao exterior para se “envolver em atividades hostis” (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)

A polícia antiterrorismo australiana monitorou o então suspeito por semanas até a prisão, em junho daquele ano, dentro do local de trabalho do acusado, uma concessionária em Roxburgh Park. Ao ser levado pelos policiais, Temssah tinha um vídeo de propaganda do EI passando em seu telefone.

Os promotores disseram ao tribunal que o aspirante a combatente ​​”queria lutar contra os descrentes e até mesmo se tornar um mártir em nome do Estado Islâmico”.

Temssah justificou inicialmente à polícia que planejava viajar à Índia por razões humanitárias, o que acabou desmentindo depois. Ele já havia feito a reserva das passagens.

A defesa do vendedor argumentou ao tribunal que, durante os dois anos em que esteve sob custódia, o réu renunciou à sua lealdade ao Estado Islâmico.

Ele retornará ao tribunal para ser julgado em 15 de setembro.

Por que isso importa?

Estado Islâmico (EI) tem aproveitado a pandemia de Covid-19 para crescer de forma “alarmante”, principalmente na África. O alerta foi feito pelo secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) António Guterres, em relatório enviado ao Conselho de Segurança na semana passada.

O documento destaca que diversos fatores ligados à pandemia facilitam a tarefa dos jihadistas de recrutar novos simpatizantes, o que ocorre sobretudo através da internet. “O EI e outros grupos terroristas se aproveitaram da interrupções de serviços, da tristeza das pessoas e de outros contratempos causados por uma crise global sem precedentes”.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.