Presença dos EUA no Mar Negro é uma ‘provocação’, diz ministro de Defesa russo

A maioria dos países não reconhece o domínio russo na região e continua a pedir permissão à Ucrânia para a travessia das águas perto da Crimeia
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A presença da Marinha dos Estados Unidos no Mar Negro foi interpretada pelo governo russo como um ato de provocação, após um navio ter entrado em águas estratégicas próximo à Crimeia. OUSS Mount Whitney, da 6ª Frota dos EUA, vem sendo monitorado pelas autoridades marítimas do país desde a sua entrada, registrada na última quinta-feira (4), noticiou a Radio Free Europe.

“Esta é uma tentativa quase constante de nos testar, para verificar se estamos prontos, quanto já construímos de todo o nosso sistema [de defesa] na costa do Mar Negro”, classificou o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, à TV estatal neste domingo (7). A autoridade acrescentou que outros países também estão fazendo isso, mas sem dizer quais.

Em junho, o Kremlin afirmou que, em um episódio semelhante, quando um navio da Marinha britânica foi identificado em águas da Crimeia, a recepção foi hostil, com tiros de advertência sendo disparados contra a embarcação.

O navio USS Mount Whitney entrou nas águas da Crimeia na semana passada (Foto: Joost J. Bakker/WikiCommons)

O Mar Negro é cenário de acirradas medições de força que marcam as relações entre a Rússia e o Ocidente desde que o país anexou a Crimeia em 2014, com seguidos incidentes diplomáticos, sobretudo marítimos.

Em julho, o governo liderado por Vladimir Putin também tachou de “provocativas” as manobras militares realizadas pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nas águas disputadas, exercícios batizados de Sea Breeze e liderados por EUA e Ucrânia. 

Como consequência do não reconhecimento do domínio territorial russo na região, a maioria dos países continua a pedir permissão à Ucrânia para a travessia das águas perto da Crimeia. Os EUA, além dos recorrentes exercícios navais com aliados, também patrulham o local.

A Marinha dos EUA alegou que as operações do USS Mount Whitney no Mar Negro demonstram o compromisso dos EUA e da Otan com a região.

Por que isso importa?

A Crimeia foi anexada à força por Moscou em março de 2014. A anexação ocorreu após a deposição do então presidente ucraniano Viktor Yanukovych, apoiado pelo Kremlin, e um consequente plebiscito que aprovou a anexação pela Rússia.

Desde a anexação, considerada ilegal pela ONU (Organização das Nações Unidas), instituições de direitos humanos denunciam a resposta agressiva da Rússia aos ativistas e civis da região. Segundo o embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, há relatos de prisões “motivadas politicamente” todos os dias.

O governo russo também apoia os separatistas que enfrentam as forças de Kiev na região leste da Ucrânia desde abril de 2014. O conflito já matou mais de 13 mil pessoas.

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