A Letônia iniciou a instalação de barreiras antitanque conhecidas como “dentes de dragão” ao longo da fronteira com a Rússia e Belarus, em uma nova etapa da chamada Linha de Defesa do Báltico. A medida ocorre em meio ao aumento das preocupações na Europa sobre uma possível expansão do conflito russo para além da Ucrânia. As informações são da agência RBC-Ukraine.
As estruturas defensivas estão sendo construídas pelas Forças Armadas Nacionais da Letônia e incluem fileiras de blocos de concreto, trincheiras antitanque e outras barreiras de mobilidade destinadas a impedir o avanço de veículos militares. Segundo autoridades militares letãs, as barreiras possuem cerca de 10 metros de largura e são organizadas em três linhas de defesa.
Cada peça de concreto pesa aproximadamente uma tonelada e meia. O espaçamento reduzido entre os blocos impede a passagem de blindados e outros veículos pesados. A produção das estruturas começou em 2024, enquanto a instalação física teve início neste ano.

Parte da infraestrutura está sendo construída em áreas privadas desapropriadas pelo governo letão. O processo foi acelerado após a aprovação da Lei sobre o Estabelecimento de Infraestrutura Antimobilidade, criada para facilitar obras de defesa nacional em regiões de fronteira.
Segundo o coronel Andris Rieksts, responsável pelo projeto da Linha de Defesa do Báltico, o objetivo é impedir qualquer avanço militar logo nos primeiros quilômetros do território letão.
“Precisamos ser capazes de deter um possível inimigo ainda na fronteira. O que vemos na Ucrânia mostra que recuperar território ocupado é extremamente difícil”, afirmou o militar.
A fronteira da Letônia com Rússia e Belarus possui cerca de 450 quilômetros. Para 2026, o governo prevê a construção de mais de 8 quilômetros adicionais de infraestrutura antimobilidade.
Europa teme expansão da guerra
O reforço militar na Letônia acontece em um momento de crescente tensão geopolítica na Europa. Diversos especialistas em segurança e integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) avaliam que a Rússia poderá ampliar ações militares ou híbridas contra países europeus nos próximos anos.
Autoridades europeias demonstram preocupação principalmente com possíveis ações russas contra os Estados bálticos, ilhas estratégicas no Mar Báltico e territórios da aliança atlântica no Ártico.
As incertezas também aumentaram após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma eventual redução do compromisso militar americano com a Otan e a diminuição da presença de tropas dos EUA na Europa.
Recentemente, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que a Rússia poderia representar uma ameaça militar direta à aliança atlântica “em questão de meses”.
A Alemanha também endureceu seu posicionamento. Em sua nova estratégia militar nacional, o governo alemão classificou oficialmente a Rússia como a principal ameaça à segurança europeia.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, declarou que Moscou já estaria conduzindo uma guerra híbrida contra o Ocidente, utilizando campanhas de desinformação, provocações militares e pressão política.
Apesar disso, o Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia avalia que a Rússia ainda não possui capacidade para iniciar uma guerra em larga escala contra os países bálticos antes de 2028.