China intensifica combate às “cozinhas fantasmas” e exige mais fiscalização de aplicativos de entrega

Autoridades chinesas identificaram milhares de restaurantes virtuais irregulares e anunciaram novas regras para reforçar a segurança alimentar e combater a concorrência desleal no setor de delivery

A China ampliou as ações de fiscalização contra as chamadas “cozinhas fantasmas”, estabelecimentos que operam apenas em aplicativos de entrega e, em muitos casos, não possuem estrutura física própria. As novas medidas fazem parte de uma ofensiva das autoridades para reforçar a segurança alimentar e combater práticas consideradas desleais no mercado de delivery. As informações são da BBC.

De acordo com órgãos reguladores chineses, milhares de operações irregulares foram identificadas em diferentes regiões do país. O modelo funciona por meio da terceirização dos pedidos para fornecedores externos, que produzem os alimentos a custos reduzidos. A estratégia permite oferecer preços mais baixos aos consumidores, mas também levanta preocupações sobre a qualidade dos produtos e o cumprimento das normas sanitárias.

A partir desta semana, plataformas de entrega serão obrigadas a verificar licenças comerciais e endereços dos restaurantes cadastrados. Os comerciantes também deverão comprovar que as informações divulgadas online correspondem a um estabelecimento real e informar se oferecem atendimento presencial.

Entregador de delivery na China (Foto: WikiCommons)
Investigação revelou rede de restaurantes inexistentes

O endurecimento das regras ocorre após uma investigação iniciada em Beijing. O caso começou quando um consumidor reclamou de um bolo decorado com flores não comestíveis adquirido por meio de um aplicativo de entrega.

Durante a apuração, as autoridades descobriram que a confeitaria responsável mantinha cerca de 380 endereços cadastrados em plataformas digitais, apesar de não possuir nenhuma loja física. Além disso, foram encontradas suspeitas de uso de documentos comerciais falsificados.

As investigações revelaram ainda um sistema de transferência de pedidos entre diferentes plataformas, permitindo que a produção fosse direcionada ao fornecedor que oferecesse o menor custo.

Milhões de pedidos e milhares de lojas irregulares

Segundo a agência estatal Xinhua, as autoridades identificaram 3,6 milhões de encomendas de bolos em plataformas utilizadas para repasse de pedidos. Também foram encontradas aproximadamente 67 mil “lojas fantasmas” operando em sete dos principais aplicativos de entrega do país.

A fiscalização atingiu diretamente grandes empresas do comércio eletrônico e delivery. Em abril, o governo informou a aplicação de multas que somaram 3,6 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 530 milhões, em plataformas acusadas de falhas na supervisão dessas operações.

Tecnologia e IA no monitoramento

Enquanto reforça a fiscalização, a China também aposta na tecnologia para aumentar a transparência. Na cidade de Hangzhou, restaurantes passaram a instalar “cozinhas transparentes” com transmissões ao vivo do preparo dos alimentos.

Na província de Anhui, autoridades firmaram acordos com empresas de delivery para utilizar sistemas de inteligência artificial no monitoramento das cozinhas. O programa também prevê incentivos para entregadores que denunciarem estabelecimentos irregulares.

As medidas refletem a preocupação crescente do governo chinês com a segurança alimentar e com os impactos da intensa competição entre plataformas de entrega, um dos setores mais disputados da economia digital do país.

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