O Boeing 747-8 doado pelo Catar aos Estados Unidos e atualmente utilizado como Air Force One temporário deverá passar por uma nova rodada de modificações apenas algumas semanas após entrar em serviço. A aeronave presidencial provisória será enviada ao Texas para receber atualizações de segurança consideradas essenciais, evidenciando que o processo de adaptação do jato ainda não foi concluído. As informações são do Luxury Launches.
A informação foi confirmada pelo presidente Trump após seu retorno da final da Copa do Mundo da FIFA. Segundo ele, o avião deverá deixar temporariamente a operação presidencial dentro de aproximadamente um mês para passar por melhorias que devem durar cerca de quatro semanas.
O luxuoso Boeing 747-8 foi adaptado pela empresa de defesa L3Harris para atuar como solução provisória enquanto a Boeing conclui o desenvolvimento dos novos VC-25B, aeronaves que substituirão os atuais Air Force One e cuja entrada em serviço é esperada apenas para 2028.

Especialistas apontam falhas de proteção
Embora o jato já conte com sistemas avançados de comunicação e equipamentos de missão, especialistas em defesa e aviação apontam que a aeronave ainda apresenta limitações importantes em sua capacidade de proteção.
Os atuais VC-25A, utilizados pela presidência americana desde os anos 1990, possuem um sofisticado conjunto de sistemas defensivos, incluindo sensores de alerta contra mísseis, bloqueadores infravermelhos, sistemas de contramedidas a laser e lançadores de chaff e flares para confundir armamentos guiados.
Além disso, os aviões presidenciais permanentes contam com proteção reforçada contra pulsos eletromagnéticos (EMP), capazes de comprometer sistemas eletrônicos durante conflitos de alta intensidade.
Análises realizadas durante os testes de voo do Boeing 747-8 doado pelo Catar não identificaram sinais visíveis de diversos desses equipamentos defensivos. Autoridades da Força Aérea dos Estados Unidos também reconheceram que a aeronave não possui todas as capacidades presentes na frota presidencial tradicional.
Limitações já afetaram viagens presidenciais
As limitações de segurança já teriam influenciado o planejamento de viagens internacionais do presidente americano.
Relatórios indicam que, em determinadas missões ao exterior, o Serviço Secreto preferiu utilizar um dos antigos VC-25A em parte do trajeto devido à ausência de algumas contramedidas defensivas consideradas fundamentais para operações em áreas de maior risco.
A situação reforçou as críticas de especialistas que consideram o Boeing 747-8 uma solução temporária eficiente em termos de conforto e comunicações, mas ainda distante dos padrões de proteção oferecidos pelos Air Force One tradicionais.
Atualizações devem focar em sistemas antimísseis
O curto período previsto para as novas modificações oferece pistas sobre os equipamentos que deverão ser instalados.
Especialistas acreditam que a intervenção se concentrará na integração de sistemas modulares de autoproteção, incluindo sensores de aproximação de mísseis, contramedidas infravermelhas direcionais e lançadores de chaff e flares.
Essas tecnologias são consideradas fundamentais para proteger grandes aeronaves contra mísseis portáteis guiados por calor, uma das ameaças mais comuns enfrentadas por aviões durante operações próximas a aeroportos.
Analistas avaliam que sistemas já utilizados em aeronaves governamentais e comerciais de outros países poderiam ser adaptados ao Boeing 747-8 em poucas semanas, sem a necessidade de uma reconstrução estrutural completa.
Proteção nuclear ficará para os novos VC-25B
Apesar das melhorias previstas, especialistas afirmam que a aeronave não deverá receber o mesmo nível de proteção contra ataques nucleares e pulsos eletromagnéticos presente nos atuais VC-25A.
Esse tipo de blindagem exige modificações estruturais profundas, além de extensas alterações nos sistemas elétricos da aeronave, um processo incompatível com uma manutenção de apenas um mês.
Essas capacidades deverão estar presentes nos futuros VC-25B, que estão sendo desenvolvidos especificamente para atuar como a próxima geração do Air Force One.
Comunicações são ponto forte do novo jato
Se a proteção ainda gera questionamentos, o mesmo não acontece com os sistemas de comunicação.
A L3Harris afirma que o Boeing 747-8 já opera com equipamentos de comunicação de última geração, oferecendo recursos mais modernos do que aqueles disponíveis nos atuais VC-25A.
O jato, que anteriormente servia à família real do Catar, foi convertido em tempo recorde por cerca de 400 profissionais trabalhando em regime contínuo. Agora, as novas modificações deverão concluir etapas previstas desde o início do projeto, ampliando a capacidade operacional da aeronave até que a futura frota presidencial da Boeing finalmente entre em serviço.