Até 190 mil pessoas podem morrer pelo Covid-19 na África, alerta OMS

Número real de infectados no continente pode chegar a 44 milhões, segundo entidade da Nações Unidas
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O Covid-19 pode fazer entre 83 mil e 190 mil vítimas na África, alertou a OMS (Organização Mundial da Saúde), nesta quinta (7). Até o momento, já foram confirmados 51 mil casos e 2 mil mortes no continente.

No entanto, o continente sofre de subnotificação dos casos do novo coronavírus, e o número real de infectados gira entre 29 e 44 milhões de pessoas. A análise foi realizada em 47 dos 54 países da região.

A taxa de transmissão é menor que a observada nos países mais afetados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a OMS já registra 67 mil mortes entre 20 de janeiro e esta sexta (8). No entanto, as estimativas apontam que o surto da doença deve durar mais tempo no continente africano.

A OMS alertou ainda que, se medidas de contenção não forem tomadas, correm mais risco os países de menor território. São alvo de preocupação sobretudo as pequenas nações próximas a África do Sul, Argélia e Camarões.

“O Covid-19 não deve se espalhar exponencialmente na África como em outras partes do mundo. Provavelmente, irá se disseminar em determinados pontos de transmissão”, afirmou o diretor regional da OMS na África, Matshidiso Moeti.

“O Covid-19 se tornará um marco em nossas vidas pelos próximos anos, a menos que os governos adotem uma abordagem pró-ativa”, disse Moeti. “Precisamos testar, rastrear, isolar e tratar.”

Profissionais de saúde em centro de tratamento para Covid-19 em Addis Abeba, capital da Etiópia (Foto: Otto B./OMS)

Internações

A OMS prevê um alto nível de internações no continente africano, o que iria sobrecarregar os sistemas de saúde dos países da região. A estimativa é de 3,6 milhões a 5,5 milhões de hospitalizações causadas pelo Covid-19.

Desse total, de 82 mil a 167 mil casos seriam graves, exigindo oxigenação, e de 52 mil a 107 mil casos críticos, que exigiriam suporte respiratório.

Uma pesquisa realizada em março deste ano com base nas informações dadas pelos 47 países africanos à OMS aponta que a média de leitos na UTI por um milhão de habitantes é de apenas nove.

A preocupação da organização aumenta devido ao fato de que o acesso ao atendimento médico é muito baixo, o que impede que muitas pessoas consigam chegar aos hospitais para receber o tratamento. O cenário aumenta a probabilidade de casos fatais.

Recomendações

A OMS recomenda que os países africanos expandam a capacidade de seus hospitais e garantam que cuidados básicos de emergência sejam incluídos nos sistemas primários de saúde.

“A importância de promover uma contenção eficaz é ainda mais crucial, pois a transmissão sustentada do vírus pode sobrecarregar os sistemas de saúde [africanos]”, afirma Moeti.

“A contenção de um surto em grande escala é muito mais dispendiosa que medidas preventivas que os governos estão tomando para evitar a disseminação do vírus.”

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