África

Atentado a bomba em universidade de Camarões deixa 11 estudantes feridos

O artefato foi jogado do telhado para dentro de uma sala de aula, marcando mais um dia de violência no conflito separatista que assola o país

Um atentado com bomba caseira feriu 11 estudantes de uma universidade de Camarões nesta quarta-feira (10). O artefato foi jogado do telhado para dentro de uma sala de aula, marcando mais um dia de violência no conflito separatista na região sudoeste no país. As informações são da rede Voice of America (VOA).

De acordo com o vice-reitor da Universidade de Buea, Horace Ngomo Manga, “o dispositivo caiu no chão e explodiu”. Entre os feridos estão um homem e dez mulheres, detalhou o educador à rádio estatal CRTV, acrescentando que todos estavam em condições estáveis. Ele não falou sobre possíveis suspeitos pelo ataque.

Buea é a capital da região Sudoeste dos Camarões, onde se fala principalmente a língua inglesa. A barreira do idioma separou o país de 25 milhões de habitantes. Por lá, a violência divide falantes do francês e do inglês em uma disputa que se intensificou há quatro anos e sem qualquer resolução em vista.

Atentado ocorreu na Universidade de Buea, no sudoeste do país (Foto: WikiCommons)

Os conflitos separatistas já mataram mais de 3,5 mil pessoas e forçaram o deslocamento de 7000 mil, conforme a ONU (Organização das Nações Unidas). O número pode ser maior, já que as estimativas feitas por ONGs não são atualizadas há mais de um ano, período em que a escalada da violência se acentuou.

O atentado a bomba desta quarta (10) não foi reivindicado por nenhum grupo, porém, os separatistas anglófonos têm frequentemente atacado escolas e universidades, a quem acusam de favorecer o ensino da língua francesa. Os rebeldes também têm como alvo dos ataques as forças armadas do país, contra quem fazem uso de dispositivos explosivos improvisados.

Em setembro, um tribunal de Buea quatro homens foram condenados à morte pelo assassinato em 2020 de oito crianças em uma escola de Kumba, na região noroeste de Camarões. No entanto, a ONG Human Rights Watch classificou o julgamento de “uma farsa”.

Por que isso importa?

A crise em Camarões começou em 2016, quando professores e advogados tomaram as ruas para protestar contra o domínio do francês nos tribunais e nas escolas de língua inglesa. A greve ganhou corpo rapidamente, e em novembro uma boa parte da população já pedia por reformas políticas.

Os grupos separatistas anglófonos ganharam força, e mesmo com a pandemia a violência teve escalada rápida. Os conflitos se concentram nas províncias Noroeste e Sudoeste, com acusações mútuas de assassinatos de civis. Mais de 3,5 mil pessoas morreram desde então, e pelo menos 700 mil foram forçadas a deixar suas casas.

O Ministério da Defesa acusa “a existência de ligações e trocas de armamentos sofisticados” entre “terroristas separatistas” e “outras entidades terroristas que operam além das fronteiras”, incluindo grupos extremistas islâmicos.

Sem sucesso nas tentativas de firmar um acordo de paz com os combatentes, o presidente Paul Biya, há 38 anos no poder, já pediu ajuda à UE (União Europeia), e aos Estados Unidos.