Etiópia muda forças de segurança em meio a risco de guerra civil em Tigré

Primeiro-ministro Abiy Ahmed substituiu chefia de segurança por aliados; confrontos já deixaram seis mortos
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A possibilidade de guerra civil na região de Tigré levou o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, a reorganizar todo o serviço de segurança do país neste domingo (8).

Nobel da Paz em 2019, Ahmed substituiu os chefes de inteligência e do exército e nomeou um novo comissário da polícia federal. A troca também contemplou o ministério das Relações Exteriores, que agora conta com um novo representante.

No Facebook, o governo afirmou que as mudanças buscam a “aplicação da lei” e fortalecer a segurança e as relações exteriores do país. Os cargos, porém, foram ocupados por aliados de Abiy – o que não ajuda a apaziguar os ânimos das diferentes etnias que compõem o país e reivindicam maior representação na transição democrática da Etiópia, iniciada em 2018.

Etiópia vive remodelação nas forças de segurança em meio a conflitos em Tigré
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, em pronunciamento no parlamento etíope em 19 de outubro de 2020 (Foto: Facebook/Abiy Ahmed)

As Nações Unidas já instaram as partes a encontrar uma solução pacífica ao conflito. Abiy, no entanto, afirmou que as “transgressões” de Tigré “forçaram a operação de aplicação de lei” por parte do governo etíope.

Há risco de acentuação das disputas após a mobilização de tropas de todo o país a Tigré, disseram fontes diplomáticas ao norte-americano “The New York Times”. Os conflitos já deixaram seis mortos e dezenas de feridos.

Conflito político

Tigré é sede do partido da Frente de Libertação do Povo Tigré. A agremiação comandou o país por quase 30 anos até que protestos antigovernamentais favoreceram a ascensão do atual premiê ao poder, em 2018.

Os ataques começaram quando Abiy enviou tropas à região após um suposto ataque na base militar e roubo de artilharia, no começo do mês. Em estado de emergência, Tigré teve todas as redes de comunicação e energia cortadas e vive sob ataques de caças da Etiópia desde a última quinta (5).

Abiy acusa os líderes de Tigré de desrespeitar a Constituição etíope. O partido realizou eleições locais no dia 9 de setembro sem a autorização do governo, que adiou o pleito para 2021 por conta da pandemia do novo coronavírus.

Com estradas fechadas, a escassez de pão e combustível pode causar fome generalizada na região, disse o chefe do escritório da ONU (Organização das Nações Unidas) na Etiópia, Sajjad Mohammad.

Segundo a ONU, cerca de 2 milhões dependem de ajuda humanitária em Tigré. “Se as linhas de abastecimento fecharem, esse número pode crescer ainda maior”, disse.

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