Facção do Estado Islâmico ameaça atacar cristãos durante as festas de final de ano

ISWAP teria afixado cartas ameaçadoras em locais públicos de uma cidade no nordeste da Nigéria, e a população local se diz amedrontada

O ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental) afixou uma série de cartas em locais públicos de uma cidade do nordeste da Nigéria, nos últimos dias, ameaçando empreender uma onda de ataques contra comunidades cristãs durante as festas de final de ano. As informações são do site Sahara Reporters.

Segundo moradores da cidade de Michika, no Estado de Adamawa, as cartas contêm ameaças dos extremistas islâmicos de que uma ação violenta ocorreria no período do Natal. Questionada, a polícia local disse não ter informações sobre as ameaças.

“Nosso povo está apavorado, porque os terroristas ganharam a reputação de cumprir suas ameaças sempre que as fazem”, diz Shehu Kambile, morador de Michika. “Se essa ameaça acontecer, será mais devastadora por causa das atuais dificuldades ocasionadas pela má economia no país. Estamos rezando e esperando que os militares e outros operativos implantem inteligência para cortar esse mal”.

Michika tem sido o epicentro dos ataques terroristas no Estado de Adamawa. Em janeiro, Lawan Andami, presidente da Associação Cristã da Nigéria (CAN, da sigla em inglês), foi sequestrado e posteriormente morto por terroristas do ISWAP.

Na última terça-feira (14), o grupo assumiu a autoria de um ataque na cidade de Madagali, no qual alega ter matado três combatentes de uma milícia armada local.

Combatentes do ISWAP armam posto de checagem em estrada da Nigéria (Foto: reprodução/Twitter)

Por que isso importa?

O ISWAP foi formado em 2016 por dissidentes do Boko Haram insatisfeitos com as decisões do ex-líder Abubakar Shekau. Atualmente, o grupo se concentra em alvos militares e ataques de alto perfil, inclusive contra trabalhadores humanitários. Os dois grupos jihadistas disputam o controle do estado de Borno, no nordeste da Nigéria.

O EI, por sua vez, se enfraqueceu financeira e militarmente nos últimos anos. Em 2017, o Iraque anunciou ter derrotado a organização, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do país, hoje mantém células adormecidas que lançam ataques esporádicos. Já as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pelos extremistas no país.

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho deste ano, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria. O documento sugere, ainda, que o grupo teve considerável perda financeira recentemente, devido a dois fatores: as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus líderes.

Paralelamente à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas têm se fortalecido em zonas de conflito, caso da África Ocidental, o que explica a importância de fortalecer o ISWAP na disputa contra o Boko Haram.

Atualmente, o continente africano é o principal reduto do EI, que consegue se manter relevante graças ao recrutamento online e à ação de seus grupos afiliados regionais. Nos últimos meses, relatos dão conta de que o ISWAP e o Boko Haram uniram forças, o que ajuda a explicar a escalada da violência no nordeste da Nigéria.

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