Estado Islâmico planeja visita à África para debater reestruturação e fortalecer ISWAP

Facção do EI na África Ocidental vive momento de baixa após supostamente perder seus dois líderes, o que pode fortalecer o rival Boko Haram
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Representantes do Estado Islâmico (EI) estariam planejando uma visita ao reduto do ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental), na região do lago Chade, na Nigéria. O encontro, organizado pelo líder extremista Abu Ibrahim al-Hashimi al-Quraishi, teria como objetivo coordenar os esforços de reestruturação regional e global da organização terrorista, segundo informações da agência Sahara Reporters, sediada em Nova York.

Entre as metas do EI no encontro com seu braço na África Ocidental estão a realização de treinamento dos militantes locais e o fornecimento de novos combatentes para o ISWAP, que segue na luta contra outra organização jihadista nigeriana, o Boko Haram, este ligado à Al-Qaeda. A decisão vem na esteira de uma série de derrotas do ISWAP, que passou a ser mais intensamente combatido por forças governamentais locais e estrangeiras no continente africano.

A reunião será encabeçada pela Shura do EI, a assembleia consultiva que monitora religiosamente o califado e tem a responsabilidade de garantir que todos os conselhos locais sigam a versão da lei islâmica estabelecida pelo grupo.

Militantes do ISWAP em anúncio sobre a morte de 30 soldados da Nigéria, em março de 2021 (Foto: Reprodução/Sahara Reporters/ISWAP)

Seguidas derrotas

Nas últimas semanas, o governo da Nigéria anunciou a morte dos dois líderes do ISWAP, o que pode explicar a preocupação do EI em prestar assistência à facção. Primeiro, as forças de segurança nigerianas teriam neutralizado Abu Musab al-Barnawi. Uma semana depois, o alvo teria sido o sucessor de al-Barnawi, Malam Bako.

Entretanto, as mortes de al-Barnawi e Bako não foram confirmadas pelo próprio ISWAP, o que ainda levanta dúvidas quanto à informação. Isso porque as forças de segurança nigerianas já anunciaram a morte de líderes extremistas que mais tarde apareceram vivos. Aconteceu com o próprio Shekau, dado como morto diversas vezes até morrer de fato em junho deste ano, ao detonar um explosivo contra si próprio durante confronto com o ISWAP.

Por que isso importa?

O ISWAP foi formado em 2016 por dissidentes do Boko Haram insatisfeitos com as decisões do ex-líder Abubakar Shekau. Atualmente, o grupo se concentra em alvos militares e ataques de alto perfil, inclusive contra trabalhadores humanitários. Os dois grupos jihadistas disputam o controle do estado de Borno, no nordeste da Nigéria.

O EI, por sua vez, se enfraqueceu financeira e militarmente nos últimos anos. Em 2017, o Iraque anunciou ter derrotado a organização, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do país, hoje mantém células adormecidas que lançam ataques esporádicos. Já as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pelos extremistas no país.

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho deste ano, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria. O documento sugere, ainda, que o grupo teve considerável perda financeira recentemente, devido a dois fatores: as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus líderes.

Paralelamente à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas têm se fortalecido em zonas de conflito, caso da África Ocidental, o que explica a importância de fortalecer o ISWAP na disputa contra o Boko Haram.

Atualmente, o continente africano é o principal reduto do EI, que consegue se manter relevante graças ao recrutamento online e à ação de seus grupos afiliados regionais.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.

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