África

Jornalista preso no Marrocos era alvo de perseguição política, aponta HRW

Omar Radi é acusado de espionagem, perturbação pública e crimes sexuais; jornalista está preso desde julho

O jornalista e ativista Omar Radi, preso pelo governo do Marrocos por espionagem e outras acusações em julho, já era alvo de uma perseguição política, denunciou a organização HRW (Human Rights Watch).

Preso em julho, Radi pode ficar até dez anos na prisão. O julgamento começou no dia 22 de setembro e ainda não há data para um veredicto.

De acordo com o governo marroquino, as únicas evidências para a “espionagem” do jornalista são reportagens que produziu como correspondente em vários meios de comunicação do Marrocos e do exterior. Radi nega todas as acusações, sobre as quais não há provas.

Jornalista preso no Marrocos era alvo de perseguição política, aponta HRW
O jornalista Omar Radi meses antes sua detenção, que ocorreu em 29 de julho de 2020 (Foto: Divulgação/Fanny Hedenmo)

O jornalista já foi preso outras duas vezes. A primeira ordem de prisão veio em dezembro de 2019, após criticar um juiz no Twitter. Em julho deste ano, foi detido por suposto “perigo de dano à ordem pública”.

Desde então, a polícia marroquina estabeleceu sessões de interrogatório de seis a nove horas sobre várias acusações distintas – a maioria infundadas.

“Apresentar acusações falsas contra jornalistas críticos é claramente parte do manual do governo marroquino para sufocar a dissidência”, disse o diretor interino da HRW no Oriente Médio, Eric Goldstein.

“As acusações de espionagem e uma cascata de outras acusações parecem planejadas para derrubar Omar Radi”, afirma Goldstein.

Crimes sexuais com viés político

Além de espionagem, Radi responde a diversas acusações que vão desde embriaguez, perturbação pública e estupro.

A polícia marroquina já condenou outros jornalistas e ativistas antes por supostos crimes sexuais. Com penas altas, as acusações vão desde sexo fora do casamento a agressão sexual.

“Muitas dessas denúncias têm motivos políticos e não há qualquer processo ou investigação para as partes”, diz o relatório da HRW.