Ásia e Pacífico

Crise gera perda de US$ 270 bi em petróleo no Oriente Médio e Ásia Central

Com baixa em remessas e exportações, além de fuga de capitais, países terão desafios para superar retração pós-Covid

Graças à crise do novo coronavírus, os países do Oriente Médio e Ásia Central deixarão de exportar US$ 270 bilhões em petróleo. A informação é de relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional), divulgado nesta segunda (13).

O Fundo também espera forte contração nas remessas de cidadãos expatriados, que respondem por cerca de 15% do PIB (Produto Interno ruto) da região. Interrupções no comércio, nas cadeias de produção globais e no turismo também terão impacto na economia desses países.

A estimativa de fuga de capitais na região deve ficar entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões neste ano. Parte desse valor tem sido compensado pela emissão de títulos soberanos – desde abril, essas nações foram responsáveis por 60% das emissões.

Crise gera perda de US$ 270 bi em petróleo no Oriente Médio e Ásia Central
Iranianos sentados em frente à mesquita na capital Teerã (Foto: Bernard Gagnon/Wikimedia Commons)

O FMI recomenda cuidado na gestão da dívida desses países, uma vez que há cerca de US$ 21 bilhões, entre juros e amortizações devidas a credores externos, a vencer na segunda metade de 2020.

“Muitos países da região sairão da crise com pouco espaço fiscal, grandes dívidas públicas e pressões cada vez mais intensas por financiamento”, diz o documento.

A taxa de desemprego não costuma oscilar de forma grave durante crises globais no Oriente Médio e na Ásia Central, uma vez que esses países combinam alta dependência do setor público com de vagas informais em seus mercados.

Em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Catar, há forte dependência de trabalhadores braçais paquistaneses, nepaleses e de outros países. No Catar, os estrangeiros chegam a 90% da força de trabalho.

Estratégia para saída da crise

Entre as medidas recomendas pelo FMI estão fortalecimento de sistemas de saúde e saída gradual de políticas de auxílio emergencial, os dois maiores vetores do aumento de gasto público.

A assistência conduzida pelos governos até agora consistiu em transferência de renda, em dinheiro ou cestas básicas, além de suspensões remuneradas de contratos de trabalho, renúncia fiscal em produtos de primeira necessidade e crédito para micro, pequenas e médias empresas.

O Paquistão e a Jordânia criaram sistemas online para facilitar a inscrição dos beneficiários. Já a Tunísia investiu em uma conta digital para recebimento e transferência do valor. O Marrocos ofereceu uma plataforma de pagamentos móveis para enviar auxílio a trabalhadores informais.

As reformas econômicas, sobretudo em países que já vivam crise antes da pandemia, caso do Líbano, serão essenciais para a retomada.

O Fundo também sugere a realocação de profissionais de setores muito afetados, como turismo, para outras áreas. A iniciativa exigirá investimentos na capacitação desses profissionais.

Empréstimos emergenciais

Desde o início da pandemia, o FMI liberou cerca de US$ 17 bilhões a países da região. Os financiamentos emergenciais foram concedidos a Jordânia, Egito, Paquistão, Mauritânia e Djibouti, entre outros.

Nações que já haviam recebido linhas de crédito do Fundo, como Geórgia e Armênia, tiveram o aporte aumentado para acomodar gastos adicionais de controle da pandemia.

Passada a crise, a principal recomendação é a de amortização rápida da dívida externa e formação de reservas cambiais que amorteçam crises futuras.

É fundamental, avalia o FMI, que as economias da região procurem diversificação. A excessiva dependência do petróleo, seja por meio das exportações ou por meio das receitas que chegam via remessas, vai pautar o sucesso da região no pós-crise.