Lições aprendidas com fim de surto de ebola na República Democrática do Congo

O 10º surto da doença no país africano trouxe ensinamentos importantes para o Médicos Sem Fronteiras
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O segundo maior surto de Ebola da história, e o 10º da República Democrática do Congo, foi contido após quase dois anos, informou no último dia 25 a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Desde agosto de 2018, foram registrados 3,4 mil casos e 2,2 mil mortos. Cerca de 1,1 mil pessoas sobreviveram à doença e mais de 303 mil pessoas foram vacinadas, de acordo com a OMS.

Após atuarem prestando atendimento aos pacientes em centros de tratamento, o MSF (Médicos Sem Fronteiras) apontou seis lições aprendidas durante o surto do ebola na República Democrática do Congo.

Lições aprendidas com fim de surto de ebola na República Democrática do Congo
Unidade de tratamento contra o ebola na República Democrática do Congo (Foto: Martine Perret/UN Photo)

Apenas uma entre outras crises

Segundo o grupo, as principais causas de mortalidade na área são doenças evitáveis, como malária e sarampo. Conflitos armados causam deslocamentos maciços e necessidades humanitárias urgentes (falta de abrigo, alimento, água).

A abordagem centrada no ebola desconsiderou questões como essas, por isso não ganhava a confiança da comunidade. Expandindo o atendimento para outras crises que também merecem atenção, o MSF acredita que houve mais êxito na resposta ao surto do ebola.

Engajamento

O engajamento da comunidade é necessário para o enfrentamento de qualquer crise. Ao não se adaptar a outras necessidades da população, houve tensão e desconfiança por grande parte da população local. Só à medida em que o surto avançava, as organizações que atuaram na gestão da crise passaram a se envolver com a comunidade.

Atendimento descentralizado

A descentralização do atendimento a pacientes com suspeitas de ebola não é apenas uma estratégia médica eficaz para identificar e tratar rapidamente a doença.

Para o MSF, a medida é uma ferramenta importante para melhorar o acesso ao atendimento de outros problemas de saúde, reforçando o sistema de saúde local, e ganhar a confiança da população.

Dessa maneira, seria possível inclusive se preparar para o enfrentamento de pandemias futuras.

Respeito aos pacientes

Mesmo em situações que demandam ações urgentes, os pacientes com ebola devem ser cuidados e respeitados como qualquer outro paciente. Eles não devem ser tratados como ameaças biológicas.

Isso implica dar aos pacientes uma escolha, baseado em consentimento e informação de todos os estágios do atendimento para evitar a adesão forçada de pessoas à medidas de saúde pública.

Vacinação

Segundo o MSF, o fato de a primeira vacina contra o ebola ter sido licenciada em vários países africanos e em outras partes do mundo é um grande passo para o enfrentamento de futuras epidemias da doença.

A medida deve permitir ainda que a República Democrática do Congo tenha acesso a um estoque maior de vacinas e de forma oportuna no caso de um novo surto, como o 11º já declarado, após registros de casos de ebola serem relatados em outras duas cidades do país.

A remoção de restrições que limitam o número de pessoas elegíveis para receber a vacina é uma das principais lições aprendidas com a experiência, aponta o grupo.

Segurança severa inibe busca por tratamento

O 10º surto de ebola foi o primeiro no mundo a ocorrer em uma zona de conflito ativo de inúmeros grupos armados. Esse foi outro desafio enfrentando pelas equipes que atuaram na contenção da doença.

Limitando o acesso a algumas áreas, o conflito dificultou o acompanhamento dos pacientes e o controle da transmissão do vírus.

Apesar da necessidade de proporcionar a segurança, a presença de forças armadas pode ter consequências significativas no enfrentamento do ebola, segundo a MSF.

A população se sentiria desconfortável em buscar cuidados médicos em lugares onde há presença de pessoas armadas, impendindo que busquem tratamento em tempo hábil.

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