África

No Níger, partido governista se reelege após eleição com saldo de sete mortos

Apesar da violência, Níger celebra a primeira transição pacífica de poder desde a independência da França, em 1960

A eleição no Níger, que terminou com sete mortos e três feridos no domingo (21), já tem um vencedor. A comissão eleitoral concedeu a vitória ao candidato Mohamed Bazoum, do partido governista, nesta terça-feira (23), confirmou a Reuters.

Dados das autoridades eleitorais apontam que Bazoum somou 55,5% dos votos contra seu adversário, o ex-presidente Mahamane Ousmane. Se bem sucedida, será a primeira transição pacífica de poder no Níger desde a independência da França, em 1960.

Ao contrário de vizinhos como o Mali, no Níger o atual presidente Mahamadou Issoufou deixará o cargo depois de cumprir dois mandatos, como pede a Constituição. A decisão foi saudada, já que, desde 1960, a nação sofreu quatro golpes de Estado.

Partido governista se reelege em eleição que deixou sete mortos no Níger
O presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, deposita seu voto no segundo turno das eleições do país, em 21 de fevereiro de 2021 (Foto: Reprodução/Twitter/Présidence du Niger)

“Estou orgulhoso de ser o primeiro presidente eleito democraticamente em nossa história a poder passar o bastão a outro presidente eleito democraticamente”, disse Issoufou à alemã Deutsche Welle.

Aos 61 anos, Bazoum é professor e o braço direito de Issofou. Ele promete aprimorar a segurança, impulsionar a economia e investir na educação prolongada de meninas para reduzir o casamento infantil. No primeiro turno, o governista conquistou 39,3% dos votos.

Onda de violência

A explosão do veículo onde estavam sete membros da Comissão Eleitoral, no domingo, gerou preocupação no país. Um explosivo atingiu o automóvel na vila de Gotheye, região de Tillaberi, oeste do país, segundo a norte-americana Associated Press.

Além dos mortos, três pessoas ficaram gravemente feridas após a explosão. O ataque ocorreu logo ao fim do dia, quando restavam poucas horas antes do fechamento das urnas.

Não está claro se o ataque foi direcionado aos funcionários ou se tinha relação com o pleito. O Níger tem enfrentado uma onda crescente de ataques de extremistas islâmicos e havia previsão de violência antes e logo após a eleição.

Em janeiro, cerca de 100 pessoas morreram quando extremistas invadiram duas aldeias na fronteira próxima ao Mali. A violência persiste mesmo com forças nacionais e internacionais no país. Conforme a agência catari Al-Jazeera, milhares de soldados devem garantir a transferência de poder.

O Níger é a nação mais pobre do mundo, conforme o ranking de desenvolvimento de 189 países da ONU (Organização das Nações Unidas). Dos 23 milhões de nigerinos, cerca de 7,4 milhões estavam aptos a votar.