Por 3ª reeleição, presidente da Costa do Marfim pede trégua a opositor

Ouattara pediu que opositor Laurent Gbagbo ficasse "neutro" nas eleições em troca do perdão à pena de 20 anos de prisão
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Apto a concorrer à terceira reeleição após uma manobra jurídica, o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, busca agora o apoio do opositor, Laurent Gbagbo, para manter-se na disputa.

De acordo com o portal The Africa Report, Ouattara pediu ajuda ao presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, para que negociasse uma “neutralidade” de Gbagbo durante as eleições.

Gbagbo foi o chefe de Estado do país africano entre 2000 e 2011 e tentou se candidatar às eleições de 31 de outubro. O político, contudo, foi impedido de participar do pleito pela condenação pelo assalto a uma agência do Banco Central da África Ocidental, em 2010.

Atrás da 3ª reeleição, presidente da Costa do Marfim busca ajuda de opositor
O ex-presidente da Costa do Marfim (centro), Laurent Gbagbo, no seu primeiro julgamento no Tribunal Penal Internacional, na Holanda, em dezembro de 2011 (Foto: UN Photo/Peter Dejong)

Se eleito, Ouattara prometeu conceder perdão presidencial a Gbagbo. A sentença por assalto seria então anulada.

Fontes próximas ao ex-presidente afirmam que o líder não tem a intenção de aceitar o acordo. O opositor também aguarda o fim do processo em que é réu no Tribunal Penal Internacional. Seu objetivo inicial era retornar à capital, Abidjan, antes de outubro.

Gbagbo foi o primeiro chefe de Estado a enfrentar o Tribunal por crimes contra a humanidade. O marfinês é acusado de coordenar a matança de três mil pessoas após as eleições de 2010, que geraram um princípio de guerra civil no país.

À frente do Níger, Issoufou quer evitar que uma nova crise surja na Costa do Marfim. O país vive protestos violentos desde que Ouattara anunciou a sua candidatura para o terceiro mandato, no dia 22 de agosto.

A oposição considera a reeleição de Ouattara inconstitucional. Desde 2016, a Costa do Marfim definiu que os presidentes permanecem no poder por, no máximo, dois mandatos consecutivos.

Os apoiadores do atual presidente, no entanto, dizem que o número de reeleições foi “reposto a zero” neste ano.

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