Américas

Governo da Nicarágua fecha 20 meios de comunicação em mais de uma década

Atos de censura ocorrem com a apreensão de equipamentos e suspensão de licenças de funcionamento

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O governo do presidente Daniel Ortega fechou 20 veículos de comunicação independentes e quatro programas de notícias na Nicarágua nos últimos 13 anos, segundo o jornal Confidencial.

Os ataques à mídia local teriam começado em 2014, mas se intensificaram em 2018. Naquele ano, 12 meios de comunicação foram fechados. A maioria deles são estações de rádio comunitárias e canais locais.

As ações ocorrem por meio das forças de segurança e pelo órgão regulador de telecomunicações no país. A tática é a de apreender os equipamentos de transmissão ou suspender a licença de operação.

No ano passado, o jornal impresso “El Nuevo Diario” fechou as portas após 39 anos de funcionamento. Outros veículos teriam conseguido continuar operando apesar da censura, migrando para plataformas digitais ou se reinventando no exílio.

Os fechamentos ocorreriam com base no abuso de poder político de líderes municipais ligados a Ortega. Estes aliados seriam os responsáveis por influenciar ou ordenar o fim de meios de comunicação de oposição.

Os locais onde ocorrem os atos de censura estariam ligados ainda à morte de camponeses e produtores oposicionistas. As denúncias foram feitas por grupos de direitos humanos ouvidos pela reportagem.

Governo da Nicarágua fecha 20 meios de comunicação em mais de uma década
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, em foto de 2012 (Foto: Chancelaria do Equador)

Jornalistas

De acordo com a Fundação Violeta de Barrios de Chamorro, a censura afeta empresas e profissionais da imprensa.

Desde 2018, um jornalista foi morto e mais de 90 foram forçados ao exílio. Outros profissionais teriam sido presos. Mais de dois mil ataques à imprensa independente foram registrados.

O jornalista Angel Eduardo Gahona López foi morto em abril de 2018, após a transmissão de seu programa de rádio na estação evangélica Nueva Jerusalén.

A esposa e âncora Migueliuth Sandoval, junto com a filha do casal e os pais do jornalista, foram para o exílio por conta das ameaças.