Américas

Morre George Shultz, diplomata dos EUA que articulou fim da Guerra Fria

Economista e ex-secretário de Estado dos EUA morreu no sábado (6), aos 100 anos; causa não foi informada

Diplomata reverenciado, ex-secretário de Estado dos EUA e um dos principais articuladores na negociação pelo fim da Guerra Fria George Shultz morreu no sábado (6), aos 100 anos.

O político estava em sua casa, no campus da Universidade de Stanford, na Califórnia, onde era professor emérito. O centro de pesquisas em políticas públicas Hoover Institution anunciou a morte neste domingo. A causa não foi divulgada.

Economista de formação, Shultz é considerado o arquiteto da diplomacia norte-americana moderna. Além de secretário de Estado no governo de Ronald Reagan, entre 1982 e 1989, também atuou como secretário do Tesouro de Richard Nixon, entre 1972 e 1974.

Morre George Shultz, o principal articulista pelo fim da Guerra Fria
O ex-secretário de Estado dos EUA, George Shultz, aos 96 anos, em setembro de 2017 (Foto: CreativeCommons/Christopher Michel)

Conhecido por sua abordagem não ideológica nas questões diplomáticas, o Schultz conseguiu negociar a redução de armamento nuclear e o fim da Guerra Fria, no final da década de 1980.

Em 1987, Shultz negociou o Tratado de Forças Nucleares, do qual Donald Trump retirou os EUA em 2018. O norte-americano tornou-se célebre pela luta para reduzir e extinguir as armas nucleares no mundo.

“Poucos meses depois de seu 100º aniversário, ele ainda participava das chamadas no Zoom sobre os perigos da proliferação nuclear e os desenvolvimentos em inovação energética”, relatou a pesquisadora Susan Eisenhower à revista “Foreign Policy“.

“A confiança é a moeda do reino”

Na agenda de George Shultz também estavam as tratativas de paz entre israelenses e palestinos. O diplomata integrou o esforço do Tratado de Oslo, que reconhece os direitos palestinos, assinado em setembro de 1997.

Em sua frase mais famosa, dita durante uma investigação do Congresso sobre fraudes do governo Reagan, em 1986, Shultz defende que “a confiança é a moeda do reino”.

“Ele entendeu a importância do eleitorado doméstico na formação da política externa”, disse o ex-vice-secretário de Estado dos EUA, James Steinberg.