Américas

Biden deve pacificar relação com China ou pode haver guerra, alerta Kissinger

Ex-secretário de Estado vê movimento com o que antecedeu conflito mundial em 1914; “riscos são maiores hoje”, disse

O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, alerta sobre um possível conflito militar caso as já desgastadas relações entre EUA e China não sejam pacificadas.

Braço direito dos ex-presidentes Richard Nixon e Gerald Ford nas relações internacionais, o diplomata de origem judia foi um dos protagonistas na política externa norte-americana entre 1968 e 1976.

Aos 97 anos, Kissinger relaciona a disputa entre Washington e Beijing com a crise que precedeu a Primeira Guerra Mundial.

“Os EUA e a China se aproximam de um confronto e conduzem sua diplomacia de forma confrontadora”, afirmou o ex-secretário de Estado em evento da Bloomberg nesta terça (17).

“A menos que haja alguma base para ação cooperativa, o mundo cairá em uma catástrofe comparável à Primeira Guerra Mundial. Mas com as tecnologias militares disponíveis hoje, a crise seria ainda mais difícil de controlar”, assumiu Kissinger.

Biden deve restaurar relações com China ou haverá conflito militar, alerta Kissinger
O diplomata e ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, em cerimônia no Pentágono, Washington, em maio de 2016 (Foto: Secretaria de Defesa dos EUA/Adrian Cadiz)

“Guerra Fria 2.0”

A chamada “Guerra Fria 2.0” entre os dois países é o primeiro passo a um longo conflito, caso o democrata recém-eleito, Joe Biden, não freie a crise.

A erosão nas relações entre Beijing e Washington se aprofundou desde o início da pandemia, quando Donald Trump culpou o país pela erupção de casos no mundo.

O vírus, no entanto, foi apenas a largada à troca de farpas e sanções ininterruptas entre as duas potências mundiais, que agora estendem a disputa em termos comerciais e tecnológicos a aliados ao redor do mundo.

“Os EUA e a China nunca enfrentaram países de magnitude semelhante. Esta é a primeira experiência. Por isso devemos evitar que se transforme em um conflito militar”, pontuou Kissinger, ao ressaltar da necessidade de respeito entre as diferenças culturais dos dois países.