Américas

Percepção sobre direitos civis dos negros nos EUA é a mais pessimista da história

Desde 1995, índices não eram menores que 80%, diz pesquisa; visão pessimista é comum entre brancos e negros

Apenas 59% dos adultos nos Estados Unidos acreditam que os direitos civis dos negros melhoraram nos últimos anos, revelou uma pesquisa da Gallup divulgada nesta quarta-feira (9).

O índice é o mais pessimista da história: há décadas o indicador não é menor que 80%, informou o instituto.

Em 1995, ano da primeira pesquisa, 83% dos entrevistados acreditavam que os direitos civis da população negra haviam melhorado nos EUA.

Percepção sobre direitos civis dos negros nos EUA é a mais pessimista da história
Protesto contra a discriminação racial e violência policial em Eugene, cidade do estado de Oregon, EUA, em maio de 2020 (Foto: Flickr/David Geitgey Sierralupe)

Em 2011, no primeiro mandato de Barack Obama, houve recorde: 89% viam os avanços nos direitos civis dos negros de forma positiva e metade entendia que a melhora era “extrema”.

Desta vez, 19% veem um avanço significativo e 40% entende que o progresso foi relativo. Outros 22% relatam estabilidade e 18% entendem que a situação dos negros nos EUA piorou.

A visão é compartilhada por norte-americanos brancos e negros.

Mais de 1,2 mil adultos dos EUA participaram da pesquisa entre junho e julho. À época, protestos eclodiam em todo país após a morte de George Floyd, assassinado por policiais em Minneapolis, no norte do país.

Entre gerações

A percepção sobre os direitos civis da população negra, no entanto, diverge entre gerações. Conforme a pesquisa, 74% dos idosos com mais de 65 anos entende que há melhora nas políticas públicas e direitos para negros.

Em 1993, aniversário dos 30 anos da Marcha de Washington, liderada pelo ativista Martin Luther King Jr., a Gallup questionou se havia necessidade de novas leis que combatessem a discriminação contra negros no país. Na época, 38% concordaram.

Hoje, a mesma opinião é compartilhada por 61% dos americanos. Em 2015 o índice era de 40% e, em 2011, de 21%.