Presidente do México pediu a banqueiros que abatam parte da dívida argentina

País tenta há meses um acordo com credores privados, sem sucesso; país já está em moratória técnica desde maio
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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu a um dos maiores credores da dívida externa argentina que aceite os termos propostos por Buenos Aires, segundo a agência de notícias Télam.

López Obrador, conhecido como AMLO, fez a afirmação durante coletiva com jornalistas mexicanos nesta sexta (12). O pedido foi feito a Larry Fink, presidente do fundo de investimento BlackRock.

“Tenho relação com empresários e falei há pouco com Fink”, afirmou. “Ia propor a seu Conselho um abate de 50% a 55% da dívida total. Fale com esse propósito.”

Presidente do México pediu a banqueiros que abatam parte da dívida argentina
O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (Foto: Wikimedia Commons)

AMLO teria intercedido em favor de Buenos Aires após pedido do argentino Alberto Fernández. “[Fink] me explicou que não depende só deles. Além dos fundos de investimento, têm que ver com as pessoas que investem nesses fundos”, disse.

A Argentina tenta renegociar uma dívida de US$ 65 bilhões. Na etapa mais recente das negociações, pediu corte de 62% dos juros – equivalente a US$ 37,8 bilhões – e 5,4% de corte no principal, que representaria desconto de US$ 3,6 bilhões.

Os credores privados têm sido, até o momento, irredutíveis: não aceitam deságio maior que 40%.

O presidente do México justificou sua manifestação a Fink porque “às vezes essas coisas [as crises de dívida externa] afetam a estabilidade econômica e financeira do mundo, de outros países”.

O imbróglio argentino

O BlackRock é um dos maiores fundos de investimento do mundo. Com outros quatro fundos, Greylock, Fidelity, Pimco e Templeton, detém 35% da dívida externa argentina.

O governo de Alberto Fernández afirma que quer pagar, mas não tem caixa suficiente. As reservas em moeda forte, das quais depende o pagamento, tem se deteriorado com rapidez: de US$ 80 bilhões no início de 2019 para US$ 42,6 bilhões em maio deste ano.

A situação se agravou depois do início da pandemia, que agravou a crise econômica no país. Analistas locais estimam recessão de cerca de 8% para esse ano, enquanto o Banco Mundial aposta em 7,5% de queda.

Em 2019, a inflação argentina bateu 53,8%. Para contornar a crise, anunciou um pacote que chega a 4% do PIB.

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