China retira 10 mil soldados da fronteira disputada com a Índia no Himalaia

Para Beijing, inverno na fronteira do Himalaia afasta risco de confrontos nos próximos meses com a Índia, disse fonte
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Ao menos 10 mil soldados chineses há um ano na fronteira do Himalaia, entre China e Índia, voltaram às suas bases nas últimas duas semanas, disse uma fonte militar não identificada ao jornal “South China Morning Post”, de Hong Kong.

Beijing calculou que as baixíssimas temperaturas nas grandes altitudes do Himalaia impossibilitam conflito com a vizinha Índia, com quem disputa porções de terra na cordilheira. “Todas as tropas foram retiradas em veículos militares, para que o lado indiano pudesse ver”, disse a fonte.

Agora, os soldados retornam aos seus quartéis para descansar. Em caso de novo conflito, as tropas poderão voltar à linha de frente em uma semana.

Sem prever novos conflitos, China retira 10 mil soldados da fronteira do Himalaia
Pelotão do Exército da China na Praça Tiananmen, em Beijing, em registro de abril de 2006 (Foto: Creative Commons/Dean Jackson)

China e Índia já deslocaram 50 mil soldados para os pontos de conflito ao longo da fronteira do Himalaia desde maio, após o reinício de uma disputa iniciada nos anos 1960. Os dois países demandam as regiões de Ladakh e Sikkim do norte – a chamada Linha de Controle Atual.

Nesta terça (12) o chefe do Exército indiano, Manoj Mukund Naravane, disse à Reuters que aguarda negociações para uma “solução amigável”. “Estou muito esperançoso por uma situação positiva”.

A tensão entre China e Índia aumentou em junho, quando 20 soldados indianos foram mortos em um combate no vale de Galwan, em Ladakh. Um número desconhecido de soldados chineses morreu no confronto.

Conflito de décadas

A disputa pela fronteira entre China e Índia começou em 1962, em meio à guerra entre os dois países. No final dos anos 80, o então primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi buscou reestabelecer os laços com Beijing.

Desde então, a fronteira se manteve calma, com os dois países concordando em adotar diretrizes de administração da região. Em 1993, as nações assinaram um acordo de paz.

As tensões voltaram a aumentar após medidas tomadas pelas autoridades indianas, como o apoio às demandas por autonomia do Tibete, a crescente cooperação de defesa com EUA, Japão e Austrália, e restrições de investimentos chineses na Índia.

Do outro lado, as relações se estreitaram entre China e Paquistão — que tem disputas de longa data com a Índia, como a questão da Caxemira — e Nepal, que não agradam Nova Délhi.

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