Mais um veículo de imprensa anuncia o fim de suas atividades em Hong Kong

Site Citizen News é o terceiro veículo relevante do jornalismo de Hong Kong a fechar as portas em um intervalo inferior a um ano
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O cenário desafiador para a mídia em Hong Kong levou ao fechamento do terceiro veículo de imprensa local num período inferior a um ano. No último domingo (2), o site Citizen News anunciou o encerramento de suas atividades após quatro anos em operação. As informações são da rede britânica BBC.

“Infelizmente, não podemos mais nos esforçar para transformar nossas crenças em realidade sem ter medo, por causa da mudança radical na sociedade nos últimos dois anos e da deterioração do ambiente da mídia”, dizia um texto publicado na página do site no Facebook e posteriormente apagado, assim como o perfil.

O site é o terceiro importante veículo de imprensa a encerrar as atividades em Hong Kong num intervalo inferior a um ano. O primeiro foi o jornal Apple Daily, em junho do ano passado, vítima da repressão imposta à mídia local. O dono do periódico, o empresário Jimmy Lai, continua preso. No final de dezembro foi o Stand News, site pró-democracia que encerrou as operações após ser invadido por centenas de agentes da polícia, sob acusação de sedição.

Jornalistas em cobertura em Hong Kong: imprensa silenciada (Foto: Creative Commons/AndyLeungHK)

Por que isso importa?

Após a transferência de Hong Kong do domínio britânico para o chinês, em 1997, o território passou a operar sob um sistema mais autônomo e diferente do restante da China. Apesar da promessa inicial de que as liberdades individuais seriam respeitadas, a submissão a Beijing sempre foi muito forte, o que levou a protestos em massa por independência e democracia em 2019.

A resposta de Beijing aos protestos veio com autoritarismo, representado pela “lei de segurança nacional“, que deu ao governo de Hong Kong poder de silenciar a oposição e encarcerar os críticos. A normativa legal classifica e criminaliza qualquer tentativa de “intervir” nos assuntos locais como “subversão, secessão, terrorismo e conluio”. Infrações graves podem levar à prisão perpétua.

No final de julho de 2021, um ano após a implementação da lei, foi anunciado o primeiro veredito de uma ação judicial baseada na nova normativa. Tong Ying-kit, um garçom de 24 anos, foi condenado a nove anos de prisão sob as acusações de praticar terrorismo e incitar a secessão.

O incidente que levou à condenação ocorreu em 1º de julho de 2020, o primeiro dia em que a lei vigorou. Tong dirigia uma motocicleta com uma bandeira preta na qual se lia “Liberte Hong Kong. Revolução dos Nossos Tempos”, slogan usado pelos ativistas antigoverno nas manifestações de 2019.

Os críticos ao governo local alegam que os direitos de expressão e de associação têm diminuído cada vez mais, com o aumento da repressão aos dissidentes nos últimos meses. O trabalho da imprensa tornou-se particularmente difícil, com seguidos casos de jornalistas presos com base na lei. As autoridades de Hong Kong rejeitam essas afirmações, e o governo local nega ter como alvo a mídia, insistindo que a lei é necessária para preservar a segurança nacional.

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