Ásia e Pacífico

Segundo relatório, Beijing tem condições de ‘paralisar’ as defesas de Taiwan

Documento da defesa taiwanesa sugere que Beijing, num futuro próximo, pode tornar viável uma operação de invasão da ilha

Um relatório divulgado em junho pelo Pentágono havia constatado que uma ação militar da China contra Taiwan era inviável, pois “provavelmente sobrecarregaria as forças armadas chinesas”. Entretanto, um novo documento do Ministério da Defesa da ilha indica que Beijing tem condições de ao menos “paralisar” as defesas taiwanesas, segundo a Bloomberg News.

A principal ilha do arquipélago que forma Taiwan ainda é um desafio para os chineses, que não teriam capacidade logística suficiente para uma invasão em grande escala sem desguarnecer seu próprio território. Porém, o relatório sugere a necessidade de monitorar os esforços de treinamento de Beijing com o objetivo de, num futuro próximo, tornar viável uma operação dessa complexidade.

Exercício militar de Taiwan realizado em junho de 2020 (Foto: Wkimedia Commons)

As informações repercutiram nos Estados Unidos, que tem intensificado as relações com Taiwan e cobrado das nações ocidentais um maior apoio à ilha. Norte-americanos e japoneses manifestam constantemente preocupação com a vulnerabilidade militar taiwanesa, que vai de encontro ao crescente investimento militar da China.

O Partido Comunista Chinês enxerga Taiwan como parte de seu território, embora não tenha qualquer controle formal sobre a ilha. E tem aumentado o tom diante da reivindicação de independência, inclusive com ameaças expressas de usar força militar caso seus interesses sejam contrariados.

Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan, enquanto Beijing deixou claro que não aceitará a independência do território “sem uma guerra”.

Enquanto isso, China e EUA travam um duelo comercial, financeiro e tecnológico que se acentuou por conta da pandemia, com Taiwan tornando-se cada vez mais importante nessa disputa.

Bloqueio da ilha

O relatório do Pentágono atestava que a mais eficiente foram de a China punir Taiwan, em vez de uma ação militar, seria o corte dos tráfegos aéreo e naval e das redes de informação.

O bloqueio poderia incluir, ainda, ataques de mísseis em grande escala e possíveis tomadas das ilhas offshore de Taiwan, como as Ilhas Prata, de Kinmen e Matsu, no Mar do Sul da China.

Caso ocorresse, o cerceamento de Taiwan aceleraria o consumo de materiais essenciais, levando a ilha ao colapso. Não há estudos sobre o quão rápido o país conseguiria reagir à crise ou qual a capacidade de sobrevivência dos estoques de mantimentos, como água e alimentos, bem como de equipamentos de guerra.

O rompimento deste bloqueio também seria difícil, concluíram os relatórios. Como Beijing mantém a maior marinha do mundo e a principal força aérea da região, seria uma missão árdua romper as barreiras.

Por que isso importa?

Taiwan é uma questão territorial sensível para os chineses, que não admitem que a ilha autônoma seja tratada como país independente. Relações exteriores do gênero, para Beijing, estão em desacordo com o princípio defendido de “Uma Só China“, que trata também Hong Kong como território chinês.

Diante da aproximação do governo taiwanês com os Estados Unidos, a China endureceu sua retórica contra as reivindicações de independência da ilha autônoma no ano passado, e as tensões geopolíticas escalam com rapidez na região.