Ásia e Pacífico

Taleban paquistanês assume ataque durante visita de embaixador chinês

Ataque suicida deixou quatro mortos e 12 feridos; segundo Islamabad; nenhum membro da delegação da China se machucou

O grupo terrorista TTP – Taleban do Paquistão – assumiu a responsabilidade pelo ataque suicida que matou quatro pessoas e deixou 12 feridos em um hotel de luxo em Quetta, capital da província do Baluchistão, nesta quarta (21). O ataque ao Serena Hotel – tido como o mais seguro da região – ocorreu durante a estadia do embaixador chinês e de uma delegação de quatro diplomatas.

Um homem-bomba teria acionado os explosivos no estacionamento do hotel por volta das 22h – 14h no horário de Brasília. Em email enviado à CNN, o porta-voz do grupo Muhammad Khurassani afirmou que um militante do grupo disparou explosivos em um carro. “Compartilharemos mais detalhes em breve”, escreveu.

O embaixador chinês no Paquistão não estava no local no momento da explosão, disse o ministro do Interior Rashid Ahmad em comunicado divulgado pela agência France24. Nenhum cidadão chinês está entre as vítimas, confirmou o tabloide pró-Beijing “Global Times“. Ahmad descreveu o ataque de Quetta como um “ato de terrorismo”.

Taleban paquistanês assume ataque a hotel durante visita de embaixador chinês
Labaredas pouco depois da explosão de um homem bomba em hotel de luxo de Quetta, Paquistão, em 21 de abril de 2021 (Foto: Reprodução/Twitter/ Sajeda Akhtar)

China no Baluchistão

Próxima à fronteira com o Afeganistão, Quetta é alvo frequente de militantes extremistas e separatistas que exigem a independência do Baluchistão. Os insurgentes argumentam que o governo paquistanês monopoliza a exploração dos vastos recursos minerais da província.

A construção do Corredor Econômico China-Paquistão, projeto de infraestrutura bilionário financiado por Beijing por meio do Cinturão da Rota da Seda, aumentou o ressentimento do grupo. Para moradores locais, os benefícios continuarão fora da região, uma das mais pobres do país.

O ministro de Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, condenou o ataque nesta quinta-feira. “Acreditamos que o Paquistão descobrirá a verdade e levará os culpados à justiça para garantir a segurança do pessoal e institutos chineses no país”, disse.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.