Negociador-chefe da Palestina, Saeb Erekat, morre de Covid aos 65

Defensor de um Estado palestino independente, Erekat morreu por complicações da doença nesta terça (10)
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

O negociador-chefe da Palestina, Saeb Erekat, morreu nesta terça (10), aos 65 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.

Defensor do Estado palestino independente, Erekat estava internado em estado grave desde o dia 18 de outubro e já havia feito um transplante de pulmão, informou o norte-americano “The New York Times”.

A morte do principal negociador palestino ocorre em meio a uma série de turbulências entre o território e Israel, dado o crescente reconhecimento dos países árabes ao Estado judeu.

Por 30 anos, Erekat foi o braço direito de grandes líderes palestinos, como Yasser Arafat e Mahmoud Abbas. O diplomata também protagonizou importantes acordos de paz como o de Oslo, na década de 1990.

Negociador-chefe da Palestina, Saeb Erekat, morre aos 65 anos
O negociador-chefe da Palestina, Saeb Erekat, no Fórum Mundial Islâmico, em Doha, capital do Catar, em maio de 2012 (Foto: U.S. Islamic World Forum)

O primeiro acordo entre israelenses e palestinos determina um autogoverno da Palestina em partes do Ocidente e na Faixa de Gaza. As negociações para um acordo permanente continuaram até 2014.

Em sua última mensagem à ex-ministra das Relações Exteriores de Israel e parceira de negociações, Tzipi Livni, Erekat afirmou que estava longe de encerrar sua trajetória. “Ainda não terminei o que nasci para fazer”, escreveu.

Conflitos iminentes na Palestina

Em nota, a agência estatal Wafas lamentou a perda. “A partida de nosso irmão representa uma grande perda à Palestina, especialmente à luz das circunstâncias difíceis que enfrenta a causa palestina“, diz a nota.

O impasse entre a Palestina e Israel endureceu ainda no início da administração de Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como a capital do Estado judeu em 2017. Na sequência, Abbas declarou a “morte” do processo de Oslo.

“Uma solução de dois Estados está se tornando impossível”, advertiu Erekat à época. Desde então – e, principalmente, desde janeiro de 2020, quando Trump apresentou seu “plano de paz” à região – a situação se tornou mais temida pelos palestinos, que recusam-se a aceitar o Estado judeu em sua totalidade.

Além do Egito e Jordânia, países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein já reconheceram Israel. Outros se comprometeram a repetir a ação após mediação dos EUA.

“O estabelecimento de um Estado palestino não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando'”, afirmou Erekat, que deixa a esposa e quatro filhos. Com bandeiras hasteadas a meio mastro, Abbas declarou três dias de luto.

Tags: