Calor, seca e enchentes: quase todas as crianças do planeta enfrentam riscos climáticos, diz Unicef

Estudo alerta que metade da população infantil mundial convive com três ou mais ameaças ambientais simultaneamente

Um novo relatório do  Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) acendeu um alerta sobre os impactos das mudanças climáticas na infância. Segundo o documento divulgado nesta terça-feira (16), quase todas as crianças do mundo estão expostas a pelo menos um risco climático ou ambiental, enquanto cerca de metade enfrenta três ou mais ameaças simultaneamente.

O estudo destaca que fenômenos como ondas de calor, secas, enchentes, incêndios florestais e poluição do ar já afetam diretamente a saúde, a educação e o bem-estar de bilhões de crianças em diferentes regiões do planeta.

De acordo com o Unicef, aproximadamente 1,8 bilhão de crianças vivem em áreas vulneráveis à seca, enquanto 1,2 bilhão estão expostas ao calor extremo. O relatório também aponta que praticamente todas as crianças respiram ar poluído, e cerca de um bilhão estão em regiões onde há risco de transmissão da malária.

(Foto: UNDP Somalia/Flickr)

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, afirmou que os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte da rotina de milhões de crianças. Segundo ela, metade da população infantil mundial convive atualmente com pelo menos três ameaças climáticas sobrepostas.

O relatório também faz um apelo para que governos e empresas acelerem a transição para fontes de energia renovável e reforcem medidas de adaptação às mudanças climáticas. A organização argumenta que a redução das emissões de gases de efeito estufa é fundamental para limitar os impactos futuros sobre as novas gerações.

Especialistas alertam há anos que o aquecimento global precisa ser mantido em até 1,5°C acima dos níveis pré-industriais para evitar consequências mais severas. Esse é o principal objetivo do Acordo de Paris, tratado climático adotado por quase 200 países e em vigor desde 2016.

No entanto, cientistas vêm demonstrando preocupação crescente com a dificuldade de alcançar essa meta. Em janeiro, os Estados Unidos formalizaram sua saída do Acordo de Paris pela segunda vez, após decisão do presidente Donald Trump, aumentando as incertezas sobre os esforços globais de combate às mudanças climáticas.

O Unicef ressalta que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global, sendo mais suscetíveis a doenças, insegurança alimentar, interrupções na educação e deslocamentos causados por eventos climáticos extremos.

Tags: