Políticos e ativistas da oposição russa anunciaram a criação de um novo partido político com o objetivo de unificar o movimento antiguerra e se apresentar como uma alternativa ao governo do presidente Vladimir Putin. A organização, denominada “Rússia Pacífica”, foi lançada durante um congresso realizado em Berlim e reúne opositores do Kremlin que vivem no exílio. As informações são do The Moscow Times.
O partido é liderado por Ilya Yashin, ex-preso político e aliado próximo do falecido opositor Alexei Navalny. Segundo Yashin, a nova estrutura pretende ir além do ativismo contra a guerra e atuar como uma força política organizada, com o objetivo de disputar o poder na Rússia quando houver condições para eleições livres e competitivas.

A fundação da Rússia Pacífica ocorre em um momento em que a oposição russa permanece fragmentada após anos de repressão política e após a invasão em larga escala da Ucrânia, iniciada por Moscou em 2022. Embora diversas organizações pacifistas e grupos de oposição tenham surgido nos últimos anos, os organizadores afirmam que faltava uma plataforma política ampla capaz de reunir diferentes correntes ideológicas sob um mesmo projeto.
Mais de 100 delegados participaram do congresso de fundação, realizado nos dias 12 e 13 de junho, em Berlim. O encontro coincidiu com as celebrações do Dia da Rússia e reuniu ativistas de direitos humanos, ex-parlamentares, integrantes de movimentos feministas, representantes da diáspora russa e ex-membros da rede política criada por Navalny.
Entre os dirigentes eleitos estão Olga Prokopyeva, integrante da organização Russie-Libertés, sediada na França, além dos ex-conselheiros municipais de Moscou Yelena Kotenochkina e Konstantin Kosov. O conselho político da legenda contará com 25 integrantes.
Os organizadores afirmam que a proposta é construir um partido com ampla participação interna, permitindo a formação de núcleos regionais e correntes políticas internas. A estratégia busca atrair tanto liberais-democratas quanto social-democratas que se opõem ao atual governo russo e à guerra na Ucrânia.
Apesar do entusiasmo dos participantes, a iniciativa também enfrenta críticas. Alguns opositores argumentam que o novo partido corre o risco de repetir experiências anteriores da oposição russa, que tiveram pouca influência prática devido às divisões internas e à dificuldade de mobilização dentro do país.
Outro desafio apontado pelos fundadores é manter contato com apoiadores que permanecem na Rússia. De acordo com Yashin, serão adotados protocolos de segurança para proteger simpatizantes e militantes diante dos riscos de perseguição judicial e criminalização das atividades políticas.
Durante o congresso, também houve divergências sobre o modelo de liderança da legenda. Debates sobre a adoção de uma estrutura mais horizontal ou mais centralizada geraram discussões entre os participantes, refletindo diferentes visões sobre como organizar a oposição russa no exterior.
Mesmo diante desses desafios, os dirigentes afirmam que a Rússia Pacífica pretende se consolidar como um espaço político permanente para os russos contrários à guerra e ao governo de Putin. Para os fundadores, o principal objetivo é preparar uma alternativa democrática para o futuro político do país e manter viva a articulação da oposição em um cenário marcado por forte repressão interna.