O Vietnã está acelerando o desenvolvimento de campos de petróleo e gás no Mar do Sul da China para compensar a queda de produção em áreas maduras e atender à demanda energética. Os projetos envolvem empresas japonesas, americanas e russas, em uma região onde as atividades de exploração também têm implicações estratégicas diante das reivindicações territoriais de Beijing.
Um dos projetos em operação é o campo de gás Sao Vang-Dai Nguyet, administrado pela japonesa Idemitsu Kosan. Localizado a cerca de 350 quilômetros da costa sul vietnamita, o campo entrou em operação em 2020 e produz aproximadamente 4 milhões de metros cúbicos de gás por dia, segundo a Agenzia Nova.

Entre os projetos em desenvolvimento está o campo de petróleo Lac Da Vang, com participação da americana Murphy Oil e da sul-coreana SK. A Murphy prevê iniciar a produção no quarto trimestre de 2026. A empresa também conduz atividades de exploração e avaliação em outros blocos marítimos vietnamitas, em parceria com a estatal Petrovietnam. Os avanços foram detalhados pela publicação especializada Offshore Energy.
A americana ExxonMobil também participa do setor por meio do projeto de gás Ca Voi Xanh, localizado ao largo da costa central do Vietnã. A iniciativa prevê uma plataforma offshore, um gasoduto até a costa e instalações para abastecer usinas elétricas. O projeto, porém, enfrenta atrasos e ainda não está em produção, de acordo com as informações divulgadas pela própria ExxonMobil.
A presença russa inclui projetos associados à estatal Gazprom, mas as iniciativas enfrentam atrasos e não estão no mesmo estágio de desenvolvimento dos campos em operação. Em 2023, a Reuters informou que a previsão de produção de gás de um projeto da Gazprom havia sido adiada para depois de 2030. A participação de empresas de diferentes países, portanto, não significa que todos os empreendimentos estejam avançando no mesmo ritmo.
A expansão energética ocorre em meio à disputa entre Vietnã e China pelo Mar do Sul da China, área reivindicada em grande parte por Beijing e também disputada por outros governos da região. Em junho de 2023, a A Referência noticiou que embarcações chinesas haviam operado na zona econômica exclusiva vietnamita, inclusive nas proximidades de instalações de petróleo e gás, ampliando as tensões entre os dois países.
Para Hanói, desenvolver os recursos offshore significa ampliar a oferta de energia e atrair capital estrangeiro. Ao mesmo tempo, a continuidade desses projetos depende de investimentos, infraestrutura e estabilidade operacional em águas onde as reivindicações marítimas seguem sendo uma fonte de tensão regional.
Por que isso importa?
Na última década, o Mar da China Meridional tem sido palco de inúmeras disputas territoriais entre a China e outros reclamantes do Sudeste Asiático, bem como de uma disputa geopolítica com os Estados Unidos quanto à liberdade de navegação nas águas contestadas.
Os chineses ampliaram suas reivindicações sobre praticamente todo o Mar da China Meridional e ali ergueram bases insulares em atóis de coral ao longo dos últimos dez anos. Washington deu sua resposta com o envio de navios de guerra à região, no que classifica como “missões de liberdade de operação”.
Embora os EUA não tenham reivindicações territoriais na área, há décadas o governo norte-americano tem enviado navios e aeronaves da Marinha para realizar patrulhas, com o objetivo de promover a navegação livre nas vias marítimas internacionais e no espaço aéreo.