Após fugir da Rússia, aliada de Navalny tem sentença convertida em pena de prisão

Condenação anterior de Lyubov Sobol, cujo paradeiro é incerto, previa uma sentença suspensa, mas foi alterada pela Justiça russa
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Um tribunal do distrito de Simonovsky, na Rússia, alterou a sentença imposta a Lyubov Sobol, importante aliada do oposicionista Alexei Navalny. A pena de um ano com sentença suspensa, que estava em vigor, foi convertida em pena de prisão efetiva, segundo o advogado Vladimir Voronin, que não deu mais detalhes sobre o caso. As informações são da rede Radio Free Europe.

Em agosto, Sobol foi condenada a um ano e meio de prisão domiciliar sob a acusação de incitar pessoas a violarem os protocolos contra a Covid-19. A infração, que as autoridades classificam como “caso sanitário”, teria sido cometida nos protestos em massa de janeiro que pediam a libertação de Navalny. Pouco depois de sentenciada, ela deixou o país.

Desde que foi embora da Rússia, Sobol não revelou abertamente onde vive. Pouco após a fuga, ela exibiu fotos no Instagram dizendo ter sido submetida a uma cirurgia no nariz. O médico responsável pelo procedimento é armênio, o que levantou a possibilidade de ela estar na Armênia. A informação mais recente é de que esteja na Estônia.

Lyubov Sobol é assessora e uma forte aliada do político Alexei Navalny, preso em janeiro (Foto: wilsoncenter.org)

Sobol também é acusada de invasão a propriedade privada, por ter supostamente forçado a entrada no apartamento de um oficial da FSB (Agência de Segurança Federal, da sigla em inglês), Konstantin Kudryavtsev, em dezembro de 2020. A tentativa teria ocorrido horas após Navalny publicar um vídeo em que grava uma conversa por telefone com o agente.

No telefonema, Navalny se passa por um oficial da FSB e conduz uma “revisão interna”. O agente, então, descreve os detalhes da operação para envenenar o crítico do Kremlin em agosto.

Sobol rejeita as acusações e afirma que não forçou a entrada no apartamento de Kudryavtsev, apesar de ter ido até o local para encontrar o agente e questioná-lo sobre sua conversa com Navalny. A equipe da advogada descreveu a acusação como uma “vingança” pelo fato de Sobol não “ter medo de questionar um assassino”.

Por que isso importa?

Navalny ganhou destaque ao organizar manifestações e concorrer a cargos públicos na Rússia. A principal plataforma do oposicionista é o combate à corrupção no governo de Vladimir Putin, em virtude da qual ele uma cobra profunda reforma na estrutura política do país.

Em agosto de 2020, durante viagem à Sibéria, Navalny foi envenenado e passou meses se recuperando em Berlim. Voltou a Moscou em janeiro de 2021 e foi detido ainda no aeroporto. Em fevereiro, foi julgado e condenado a dois anos e meio de prisão por violar uma sentença suspensa de 2014, quando foi acusado de fraude. Promotores alegaram que ele não se apresentou regularmente à polícia em 2020, justamente quando estava em coma pela dose tóxica.

Encarcerado em uma colônia penal de alta segurança, ele chegou a fazer uma greve de fome de 23 dias em abril, para protestar contra a falta de atendimento médico. Em junho de 2021, um tribunal russo proibiu os escritórios regionais de Navalny e sua Fundação Anticorrupção (FBK) de funcionarem, classificando-as como “extremistas”.

Em agosto, a Justiça russa abriu uma nova acusação criminal contra o oposicionista, o que poder ampliar a sentença de prisão dele em três anos. Ele foi acusado de “incentivar cidadãos a cometerem atos ilegais”, por meio da Fundação Anticorrupção (FBK) que ele criou. Mais recentemente, em setembro, uma terceira acusação contra, por “extremismo”, ameaça estender o encarceramento por até uma década.

Caso seja condenado em alguma das novas acusações, Navalny será mantido sob custódia no mínimo até o fim da próxima eleição presidencial, em 2024, quando chega ao fim o atual mandato de seis anos de Vladimir Putin no Kremlin.

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