Europa

Ativista que tentou suicídio no próprio julgamento é condenado em Belarus

Stsiapan Latypau usou uma caneta para ferir o próprio pescoço, foi socorrido e posteriormente voltou à corte

Um ativista belarusso que tentou suicídio durante o próprio julgamento, em junho, voltou à corte, foi julgado e condenado a oito anos e meio de prisão. Stsiapan Latypau foi preso no dia 15 de setembro, durante protestos contra a repressão em Belarus, de acordo com a Radio Free Europe.

Latypau é acusado de coordenar um canal da rede social Telegram e de ser o dono de um estúdio onde eram confeccionados materiais usados em protestos contra o presidente Alexander Lukashenko.

A Belarbo, empresa de consultoria florestal urbana do ativista, foi usada para ampliar a pena, sob acusação de enganar clientes, levando-os a comprar produtos químicos e serviços de proteção de plantas. “Todas as testemunhas, no entanto, confirmaram que os serviços prestados foram profissionais e oportunos”, segundo a ONG local Viasna, que considera o julgamento uma farça.

Além da pena de prisão, que será cumprida em um presídio de segurança média, o acusado terá que pagar multa de US$ 3,5 mil (R$ 18,5 mil). Organizações de direitos humanos, entre elas a Viasna, tratam Latypau como um dos milhares de presos políticos de Belarus em meio à repressão contra oposicionistas.

Stsiapan Latypau, que tentouo o suicídio durante seu julgamento, se recuperou e foi condenado (Foto: divulgação/spring96.org)

Quando foi detido, Latypau tentava impedir que policiais e funcionários contratados pelo governo pintassem um mural em uma área residencial que exibia as cores vermelha e branca, tradicionalmente usadas pela oposição a Lukashenko.

O pátio ficou conhecido como Change Square (Praça da Mudança, em tradução literal), por sediar eventos noturnos de manifestantes contrários a Lukashenko e críticos da eleição que concedeu a ele mais um mandato à frente do país.

Por que isso importa?

Alexander Lukashenko está no poder desde 1994. De acordo com os dados oficiais, ele foi eleito recentemente, em agosto de 2020, com 79,7% dos votos, enquanto Sviatlana Tsikhanouskaia recebeu 6,8%. O resultado é contestado por observadores e pela comunidade internacional.

A própria Tsikhanouskaia optou por deixar o país com seus dois filhos após a brutal repressão às manifestações pacíficas que sucederam a eleição.

O desgaste com o atual governo, que já se prolonga há anos, acentuou-se em 2020 devido à forma como ele lidou com a pandemia, que chegou a chamar de “psicose”. Em determinado momento, o presidente recomendou “vodka e sauna” para tratar a doença.

A porta-voz do presidente, Natalya Eismont, afirmou em 2019, na televisão estatal, que a “ditadura é a marca” do governo de Belarus.