Belarus vai leiloar bens de banqueiro que desafiou o ditador Alexander Lukashenko

Viktor Babariko, preso e impedido de concorrer à presidência em 2020, teve relógios, ações e veículo apreendidos pelo governo

Um site de leilões de Belarus passou a disponibilizar em seu site vários bens pertencentes ao banqueiro Viktor Babariko, concorrente do ditador Alexander Lukashenko na eleição presidencial do país europeu de agosto de 2020. De acordo com a rede Radio Free Europe (RFE), os itens começarão a ser leiloados em 13 de setembro.

Babariko, que teve a candidatura rejeitada e por isso não concorreu com Lukashenko, foi preso em junho de 2020. O pleito é alvo de diversas acusações de fraude para beneficiar o ditador.

No ano seguinte ao da eleição, o banqueiro foi condenado a 14 anos de prisão por evasão fiscal e corrupção, acusações que ele e seus apoiadores classificam como politicamente motivadas.

“Este processo criminal não tem objetivo de revelar um crime, mas sim me impedir de ser um concorrente do atual presidente de Belarus”, disse Babariko por ocasião de sua prisão, destacando que antes de se lançar candidato não era alvo de nenhuma acusação.

Agora, o governo resolveu leiloar bens pertencentes ao banqueiro que teriam sido apreendidos na operação que o colocou na cadeia. Entre os itens há nove relógios, miras de armas, participações no capital de empresas e um veículo.

Em julho deste ano, as autoridades do país europeu já haviam vendido um imóvel do banqueiro por 203.687 rublos belarussos (R$ 399,6 mil). No mesmo mês, o filho dele, Eduard Babariko, foi condenado a oito anos de prisão por sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, incitação ao ódio e organização de tumultos massa.

Viktor Babariko em sua residência em Minsk, imagem publicada no dia 25 de março de 2021 (Foto: Reprodução)
Por que isso importa?

Belarus testemunha uma crise de direitos humanos sem precedentes, com fortes indícios de desaparecimentos, tortura e maus-tratos como forma de intimidação e assédio contra seus cidadãos. Dezenas de milhares de opositores ao regime de Lukashenko, no poder desde 1994, foram presos ou forçados ao exílio desde as controversas eleições no ano passado.

O presidente, chamado de “último ditador da Europa”, parece não se incomodar com a imagem autoritária, mesmo em meio a protestos populares e desconfiança crescente após a reeleição de 2020, marcada por fortes indícios de fraude. A porta-voz do presidente Natalya Eismont chegou a afirmar em 2019, na televisão estatal, que a “ditadura é a marca” do governo de Belarus.

Desde que os protestos populares tomaram as ruas do país após o controverso pleito, as autoridades belarussas têm sufocado ONGs e a mídia independente, parte de uma repressão brutal contra cidadãos que contestam os resultados oficiais da votação. A organização de direitos humanos Viasna diz que há atualmente quase de 1,5 mil prisioneiros políticos no país.

O desgaste com o atual governo, que já se prolonga há anos, acentuou-se em 2020 devido à forma como ele lidou com a pandemia, que chegou a chamar de “psicose”. Em determinado momento, o presidente recomendou “vodka e sauna” para tratar a doença.

A violenta repressão imposta por Lukashenko levou muitos oposicionistas a deixarem o país. Aqueles que não fugiram são perseguidos pelas autoridades e invariavelmente presos. É o caso de Sergei Tikhanovsky, que cumpre uma pena de quase 20 anos de prisão sob acusações consideradas politicamente motivadas. Ele é marido de Sviatlana Tsikhanouskaia, candidata derrotada na eleição presidencial e hoje exilada.

Já o distanciamento entre o país e o Ocidente aumentou com a guerra na Ucrânia, vez que Belarus é aliada da Rússia e permitiu que tropas de Moscou usassem o território belarusso para realizar a invasão.

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