França fecha mesquita acusada de pregar violência contra os não-muçulmanos

Ministro do Interior diz que fechamento ocorreu porque o imã local "vinha mirando em cristãos, homossexuais e judeus" em seus sermões
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Uma mesquita foi fechada na França, por ordens da Justiça, sob a acusação de que o imã do local fazia pregações radicais, nas quais incitava o ódio e defendia a jihad, luta armada contra os infiéis e inimigos do Islã. O templo fica em Beauvais, uma cidade de cerca de 50 mil habitantes aproximadamente 100 quilômetros ao norte de Paris. As informações são da rede France 24.

Segundo Gerald Darmanin, ministro do Interior da França, o fechamento da mesquita ocorreu porque o imã “vinha mirando em cristãos, homossexuais e judeus” em seus sermões. Durante dez dias, as autoridades locais fizeram uma coleta de informações para avaliar se estavam presentes todas as condições necessárias para o fechamento. Com a resposta positiva, o templo religioso foi fechado e assim permanecer por ao menos seis meses.

Samim Bolaky, advogado da associação que administra o templo, prometeu ingressar com um pedido de liminar para revogar o fechamento e afirmou que o imã pregava apenas ocasionalmente e que agora foi suspenso pela associação. O líder religioso da mesquita seria um muçulmano convertido recentemente.

França fecha de mesquita acusada de pregar violência contra não-muçulmanos
Mesquita de Beauvais, na França, fechada sob acusação de pregar a violência contra não-muçulmanos (Foto: reprodução/Google Street View)

Durante as pregações, o imã teria classificado a jihad como um “dever” dos muçulmanos. Ele também teria rotulado os não-muçulmanos como “inimigos”, enquanto os jihadistas seriam “heróis” encarregados de proteger o Islã contra a influência ocidental.

A Justiça francesa, por sua vez, justificou o fechamento. “A ameaça terrorista continua em um nível muito alto”, diz a decisão judicial, alegando “o objetivo de evitar que atos de terrorismo sejam cometidos”.

O governo da França anunciou no início de 2021 que intensificaria a fiscalização dos espaços suspeitos de espalhar propaganda islâmica radical. O Ministério do Interior disse, ainda em dezembro, que cerca de cem mesquitas e salas de orações muçulmanas, entre as mais de 2,6 mil que existem no país, foram investigadas. Seis desses locais seguem sob investigação e podem ser fechados.

Por que isso importa?

Ações antiterrorismo globais têm enfraquecido os dois principais grupos terroristas do mundo, o Estado Islâmico (EI) e a Al-Qaeda. Já a pandemia de Covid-19 fez cair o número de ataques em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Na tentativa de manter a relevância, as organizações jihadistas têm investido em zonas de conflito, como o continente africano, e isso pode causar um impacto a curto prazo na segurança global, conforme as regras de restrição à circulação são afrouxadas.

O EI, em particular, se enfraqueceu militar e financeiramente, vitimado pela má gestão de fundos por parte de seus líderes e sufocado pelas sanções econômicas internacionais. Porém, a organização ganhou sobrevida graças ao poder de recrutar seguidores online. Atualmente, as ações do EI são empreendidas quase sempre por atores solitários ou pequenos grupos que foram radicalizados e incitados através da internet.

Em 2017, o exército iraquiano anunciou ter derrotado a organização no país, com a retomada de todos os territórios que o EI dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do Iraque, hoje mantém apenas células adormecidas que lançam ataques esporádicos. Já as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pelos extremistas no país.

Assim, o principal reduto tanto do EI quanto da Al-Qaeda tornou-se o continente africano, onde conseguem se manter relevante graças à ação de grupos afiliados regionais, como Al-Shabaab, ISWAP, EIGS e Boko Haram. A expansão em muitas regiões da África é alarmante e pode marcar a retomada de força global dessas duas organizações, algo que em determinado momento tende refletir em regiões sem conflito, como Europa e Estados Unidos, alvos preferenciais de ataques terroristas.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.

Mais recentemente, em dezembro de 2021, três cidadãos estrangeiros que vivem no Brasil foram adicionados à lista de sanções do Tesouro Norte-americano. Eles são acusados de contribuir para o financiamento da Al-Qaeda, tendo inclusive mantido contato com figuras importantes do grupo terrorista. Saiba mais.

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