Lukashenko vai à Rússia em busca de ajuda e Putin sugere novas eleições

Líder bielorrusso quer ajuda russa após onda de protestos contra sua contestada sexta reeleição, em 9 de agosto

No primeiro encontro depois do início da crise em Belarus, o líder russo, Vladimir Putin, sugeriu ao presidente Alexsander Lukashenko a realização de novas eleições no país, registrou nesta terça (15) o jornal “The New York Times”.

Lukashenko buscou a ajuda da Rússia, sua principal aliada, após uma onda de protestos contra a sua sexta reeleição, em 9 de agosto. “Gostaríamos que Belarus resolvesse essa situação por conta própria”, disse Putin.

Em resposta, o líder bielorrusso descartou a possibilidade de negociar com os oponentes, que chamou de “ratos” e “trapaceiros”.

Lukashenko vai à Rússia em busca de ajuda e Putin sugere novas eleições
Encontro entre o presidente de Belarus, Aleksander Lukashenko (esq.) e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na russa Sochi, nesta terça (15) (Foto: Reprodução/Kremlin)

No Twitter, o correspondente do site BuzzFeedNews, Christopher Miller, chamou a atenção para a sutil disputa de poder entre os líderes. “Caso você esteja se perguntando como estão as negociações entre Lukashenko e Putin, dê uma olhada nessa linguagem corporal”.

Ainda que Putin tenha afirmado que a Belarus é o “aliado mais próximo” da Rússia, sua posição em relação a Lukashenko era de superioridade – e não de igualdade.

O líder bielorrusso obedeceu a convenção: com um caderno sobre os joelhos, anotava as palavras de Putin como um “aluno assíduo”, diz o diário.

Confiança unilateral

À reportagem, o diretor-geral do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, Andrei Kortunov, afirmou que Putin nunca confiou em Lukashenko e “ficaria feliz em vê-lo sair lentamente”. A pressão das ruas, no entanto, não seria a forma ideal, disse Kortunov.

Em proporção, os protestos após a reeleição de Lukashenko são considerados a pior crise em 26 anos de governo. Na reunião, Putin o parabenizou pela vitória e ofereceu empréstimo de US$ 1,5 bilhão.

Ainda sem implantar a sua força no país, a Rússia enviou assessores para auxiliar Lukashenko no controle do conflito. Jornalistas russos estão preenchendo vagas na mídia estatal depois que funcionários locais se aliaram aos protestos.

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