Europa

Belarus acusa ‘mercenários russos’ de conspiração eleitoral

Investigadores suspeitam que, ao todo, 200 mercenários estariam no país para desestabilizar campanha eleitoral

Autoridades de Belarus disseram nesta quinta (30) ter prendido 33 mercenários russos por suposto plano de terrorismo antes das eleições presidenciais do próximo dia 9.

Segundo a BBC, investigadores suspeitam que cerca de 200 mercenários estariam no país para “desestabilizar a situação durante a campanha eleitoral”.

No poder desde 1994, o presidente Aleksandr Lukashenko busca a reeleição para o sexto mandato. O chefe de Estado exerce um controle autoritário sobre o país e enfrenta uma onda de protesto da oposição.

O canal de TV estatal de Belarus-1 mostrou a prisão. Segundo a reportagem, o grupo levantou suspeita por seu comportamento disciplinado, de estilo militar. Os suspeitos evitariam bebidas alcóolicas, por exemplo.

Belarus acusa 'mercenários russos' de conspiração eleitoral
Presidente de Belarus, Alexander Lukashenko (Foto: Departamento de Estado dos EUA/Reprodução)

Grupo Wagner

Os homens detidos fariam parte do Grupo Wagner, cuja atuação também foi identificada na Síria, Líbia, Sudão e República Centro-Africana, segundo investigadores da ONU, militares dos EUA e jornalistas.

A apreensão de dinheiro e cartão telefônico sudaneses levantaram suspeitas, onde já houve atuação do grupo russo. Há especulações de que Belarus estaria sendo usado como país de trânsito para operações na África.

Entre os supostos mercenários, estariam 14 pessoas que participaram do conflito de Donbas, na Ucrânia. O serviço de segurança ucraniano deve buscar a extradição dos presos para o julgamento por supostos crimes no leste do país.

Ex-candidato preso

As autoridades bielorrussas dizem ainda estar examinando possíveis ligações entre os russos e o ex-candidato Sergei Tikhanovsky, preso por supostamente fomentar a manifestação em massa.

A prisão de Tikhanovsky, que ele e seus apoiadores afirmam ter sido feita para minar a concorrência no pleito, levou a candidatura da esposa Svyatlana Tsikhanouskaya.

A Rússia nega ter conhecimento sobre atividades ilegais cometidas pelos presos e busca esclarecimento com o governo bielorrusso.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse ainda que as alegações de tentativa de desestabilizar as eleições em Belarus são falsas.