Inovação pode tornar pecuária aliada na redução de emissão de gases de efeito estufa

Emissões de metano, liberadas em diversos sistemas de produção agrícola, são até 28 vezes mais nocivas ao meio ambiente
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email

Emissões de metano, liberadas em diversos sistemas de produção agrícola, especialmente na pecuária, são até 28 vezes mais nocivas ao meio ambiente quando comparada à emissão de outros gases de efeito estufa. Mas isso pode mudar. Segundo Eduardo Mansur, diretor de mudanças climáticas, biodiversidade e meio ambiente da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), inovações e acordos nesse sentido foram firmados na COP26, em Glasgow, no ano passado.

“Quarenta por cento das emissões que temos saem do setor agrário. Portanto, o desafio é ter tecnologias para diminuição das emissões. A boa notícia é que elas existem, para ter uma atividade pecuária de baixo impacto de carbono com uma alimentação que diminua a fermentação entérica de ruminantes, para ter uma produção de arroz em áreas cobertas de água que tenham baixa fermentação e baixa emissão de metano. A redução dentro de uma gestão sustentável do adubo orgânico, incluindo o aproveitamento da fermentação para produção de energia renovável”, disse Mansur.

O diretor da FAO destacou uma aliança proposta pela União Europeia (UE) e os Estados Unidos durante a COP26, em Glasgow, na Escócia. O objetivo é reduzir a emissão do gás em 30% até 2030, tanto na criação de gado quanto em outras atividades, como na plantação de arroz em áreas alagadas.

O Pacto Mundial do Metano já tem a adesão de mais de cem países, incluindo os principais emissores, como Brasil e México. Segundo dados, o cumprimento do acordo ajudaria a reduzir o aquecimento global em até 0,2º C até 2050.

Com mais nações firmando esse compromisso, o desafio é a extensiva implementação das tecnologias, especialmente em países em desenvolvimento, onde a prioridade de pequenos produtores é garantir formas de adaptação aos crescentes desafios com o aquecimento global.

Pecuária: emissões de metano são até 28 vezes mais nocivas ao meio ambiente (Foto: pixnio.com)

“Nos faltam mecanismos de disseminação de larga escala. O pequeno produtor já trabalha com uma margem de risco muito grande. Para aumentar riscos em novas tecnologias tem que haver uma compensação, alguma garantia, para que pequenos produtores também participem desse processo de luta contra as mudanças climáticas e produção de baixo impacto”, disse o diretor da FAO

De acordo com Eduardo Mansur, o setor agrário é responsável por pelo menos um terço das emissões de gases e, por isso, precisa agir como parte da solução. Ele também pontua que os fenômenos climáticos impactam diretamente na produtividade e é de interesse da área que sejam mitigados.

O diretor da FAO ressalta que os últimos anos têm batido recordes nas oscilações de temperatura, desafiando a agricultura em diversos países. Além da pior seca em anos na região do Chifre da África, Mansur afirma que Portugal também observa falta de chuvas, que prejudicam a produção local.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News

Tags: