Mundo

Acordo final da COP26 é passo importante, porém insuficiente, segundo líder da ONU

“É hora de entrar em modo de emergência. A batalha climática é a luta de nossas vidas e essa luta deve ser vencida”, disse António Guterres

Após se estender por mais um dia, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP26, que contou com a participação de 197 países, chegou a um acordo final. Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, o acordo é um passo importante, porém insuficiente.

No fechamento do evento, o português afirmou que as nações precisam entrar em “ritmo de emergência”, eliminando subsídios para todos os combustíveis fósseis. Ele destacou a necessidade de fixar um preço para o carbono, proteger comunidades vulneráveis e alcançar o financiamento de US$ 100 bilhões para as ações de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. Segundo ele, porém, esses objetivos não foram atingidos na Conferência.

Guterres deixou seu posicionamento registrado em um post no Twitter. “O resultado da # COP26 é um compromisso, refletindo os interesses, contradições e estado da vontade política no mundo de hoje. É uma etapa importante, mas não é suficiente. É hora de entrar em modo de emergência. A batalha climática é a luta de nossas vidas e essa luta deve ser vencida”.

Documento enfraquecido

Uma emenda de última hora solicitada pela China e Índia modificou o texto preliminar sobre a redução do uso de carvão. Os países pediram que fosse documentado “redução gradual” do recurso no lugar de “eliminação”, como na proposta inicial, o que enfraqueceu consideravelmente o impacto do acordo.

Sobre o financiamento para ação climática, o texto enfatiza a necessidade de levantar os valores “de todas as fontes para atingir o nível necessário e chegar aos objetivos do Acordo de Paris, incluindo um aumento significativo do apoio para países em desenvolvimento, além de US$ 100 bilhões por ano”.

O acordo pede que os governos antecipem os prazos de seus planos de redução de emissões e convida os 197 países participantes a reportar o progresso sobre as ações climáticas no evento do próximo ano, na COP27, que vai acontecer no Egito.

O secretário-geral da ONU, António Guterres: resultado da COP26 está aquém das expectativas (Foto: United States Mission/Eric Bridiers)

Repercussão 

No início da última plenária de avaliação, muitos países lamentaram que o pacote de decisões não será suficiente. Alguns declararam estar desapontados, mas, no geral, reconheceram que o texto era equilibrado. Países como Nigéria, Palau, Filipinas, Chile e Turquia disseram que, embora haja imperfeições, apoiavam o texto. 

Os representantes de Maldivas e Nova Zelândia foram menos otimistas e afirmaram que o resultado foi o “menos pior”, embora não esteja em linha com o progresso necessário.

O enviado dos Estados Unidos, John Kerry, disse que o texto “é uma declaração poderosa” e garantiu aos representantes que o país se engajará construtivamente em um diálogo sobre perdas e danos bem como sobre adaptação, duas das questões que mais geram ambiguidades.

Principais conquistas 

Entre os acordos firmados pelos líderes na COP26, mais de 120 países, representando cerca de 90% das florestas do mundo, se comprometeram a conter e reverter o desmatamento até 2030. Houve também uma promessa sobre a redução de metano, liderada pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE), com mais de 100 países concordando em reduzir as emissões até 2030.

Enquanto isso, mais de 40 países, incluindo grandes usuários de carvão, como Polônia, Vietnã e Chile, concordaram em abandonar o minério, um dos principais geradores de emissões de carbono.

Cerca de 500 empresas de serviços financeiros globais concordaram em levantar US$ 130 trilhões – cerca de 40% dos ativos financeiros mundiais – para alcançar as metas estabelecidas no Acordo de Paris, incluindo limitar o aquecimento global a 1,5º C.

Outro compromisso, esse firmado entre Estados Unidos e China, prevê o aumento da cooperação climática entre as nações na próxima década. Os dois governos concordaram em tomar medidas para reduzir emissões de metano e carbono, fazendo transição para adotar energia limpa de olho na meta de 1,5º C.

Com relação ao transporte, governos e empresas assinaram compromisso para encerrar a venda de motores de combustão interna até 2035 nos principais mercados, e em 2040 em todo o mundo. Pelo menos 13 nações também se comprometeram a acabar com a venda de veículos pesados movidos a combustíveis fósseis até 2040.

Por fim, países como Irlanda, França, Dinamarca e Costa Rica lançaram aliança inédita para definir uma data final para a exploração e extração nacional de petróleo e gás.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News