Mundo

Países deixam de proteger da violência um bilhão de crianças por ano

Apesar de 88% dos países terem leis que protegem crianças, apenas 47% deles as aplicam de maneira satisfatória

Cerca de um bilhão de crianças, ou a metade desta população no mundo, é afetada por ano pela violência física, sexual ou psicológica. E, segundo relatório divulgado pela ONU nesta quinta (18), os países não tem conseguido garantir estratégias para a segurança dos pequenos.

O primeiro “Relatório da Situação Global sobre Prevenção da Violência contra Crianças” traça o progresso de 155 países em táticas que previnam e combatam a violência contra a criança.

O documento aponta que 88% desses países têm leis para a proteção dos jovens, mas apenas 47% deles as aplicam de maneira satisfatória. A ONU também estima que 40 mil crianças foram vítimas de homicídio em 2017, dado mais recente.

A pandemia do novo coronavírus pode agravar a situação, já que a quarentena, o fechamento das escolas e as restrições de movimentação deixaram muitos jovens isolados com seus agressores.

Países deixam de proteger da violência 1 bilhão de crianças por ano
Crianças na cidade de Yei, no Sudão do Sul (Foto: Eric Kanalstein/UN Photo)

Progresso desigual

Das estratégias avaliadas pelo relatório, o acesso às escolas foi o que apresentou maior progresso. Já são 54% dos países que relatam um número satisfatório de crianças estudando.

Outros resultados não são animadores, aponta a ONU. Apesar de 83% dos países terem dados nacionais sobre violência contra a criança, apenas 21% os utilizam para traçar políticas públicas de proteção.

Além disso, enquanto 80% dos países têm planos de ação e políticas nacionais, apenas 20% financiam esses planos ou têm metas mensuráveis.

Brasil

Segundo os dados apresentados pela ONU, o Brasil tem planos contra violência sexual, violência contra jovens, maus tratos a crianças, violência nas escolas e violência de gênero.

Não há, porém, apoio à implementação e fortalecimento de normas não violentas ou de mobilização de comunidades. Além disso, a construção de ambientes seguros para essas crianças também não apresentou níveis satisfatórios.

Em 2017, 4,5 mil crianças menores de 18 anos foram mortas por policiais no Brasil e 5,9 mil foram vítimas de homicídio por civis.