Resgate custará no mínimo US$ 17 trilhões a países da OCDE

Esse é o valor adicionado à dívida dos membros do "clube do países ricos", entre estímulos e queda nos impostos
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A dívida pública dos países que integram a OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico) vai aumentar no mínimo US$ 17 trilhões em face das consequências econômicas e sociais do novo coronavírus.

A estimativa combina o valor dos aportes feitos pelos países ricos após a crise de 2008-09, mais a expectativa de queda na arrecadação dos impostos, com a retração causada pela pandemia. As informações são do jornal britânico “Financial Times“.

Mas, na crise atual, o valor dos estímulos deve ser ainda maior, segundo relatório da OCDE.

A cifra elevaria, na média, a relação dívida/PIB (produto interno bruto) dessas nações de 109% para 137% em 2020. É o equivalente ao nível de endividamento da Itália.

Resgate custará no mínimo US$ 17 trilhões a países da OCDE
Economistas temem efeitos do endividamento no futuro (Foto: Public Domain Pictures)

Para o secretário-geral da OCDE, o mexicano Angel Gurría, a dívida será um problema no futuro. Mas agora, no meio da crise, não é o momento de zelar pelo rigor fiscal.

Custos da dívida

A situação pode se tornar ainda mais grave se a recuperação econômica for mais lenta que a maioria das estimativas – que já antecipam morosidade neste processo.

Há dez anos, o consenso na teoria econômica era o de que um país com proporção dívida/PIB superior a 90% tinha um problema “insustentável”, aponta o diário britânico.

Hoje, não existe consenso em torno de um número. Porém, há o entendimento de que o endividamento excessivo solapa o gasto do setor privado e atrasa a recuperação da economia.

O que os economistas tentar evitar é uma pasmaceira econômica como a que viveu o Japão no início dos anos 1990. Hoje, o arquipélago tem endividamento recorde, equivalente a 240% do PIB, embora o primeiro-ministro Shinzo Abe seja “conhecido por estímulos econômicos”.

Para o economista William Buiter, professor visitante na Universidade de Columbia (EUA) consultado pelo diário britânico, há um limite no endividamento até que este se torne um processo inflacionário.

Já Randall Kroszner, da Universidade de Chicago, avalia que a solução passa pela “‘delicada’ arte” de renegociação dessas dívidas. Dessa forma, os credores recebem parte do valor, mesmo que com algum deságio, uma vez que esses débitos podem acabar, na prática, impagáveis.

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