Lira turca tem maior alta em dois anos após renúncia de genro de Erdogan

Genro de Erdogan alegou questões de "saúde" para deixar ministério das Finanças, mas motivo seria novo chefe do BC
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

A lira turca registrou sua maior valorização em dois anos nesta segunda (9). A alta é associada à renúncia do ministro das Finanças do país e genro do presidente Recep Tayyip Erdogan, Berat Albayrak, neste domingo (8).

De acordo com o jornal britânico “Financial Times”, a moeda teve alta quase 5% em relação ao dólar. Hoje uma lira representa US$ 0,12 – o equivalente a R$ 0,64.

Até as 13h desta segunda, Erdogan não havia se pronunciado sobre a renúncia de Berat Albayrak. A saída vem logo após a demissão do presidente do Banco Central turco, Murat Uysal, no sábado (7) – é a segunda troca em pouco mais de um ano.

Casado com Esra, filha do presidente, o político alegou “motivos de saúde” para deixar o cargo.

Lira turca tem maior aumento em dois anos após renúncia de ministro
O ex-ministro de Finanças da Turquia, Berat Albayrak, em conferência em Ancara, capital turca, em agosto de 2018 (Foto: CreativeCommons)

Fontes disseram ao “FT” que o genro do presidente discordou do nome de Naci Agbal, ex-ministro de Finanças, para ocupar a presidência da autoridade monetária do país.

Agbal teria criticado as estratégias de Abayrak em meio ao crescente descontentamento com a gestão macroeconômica da Turquia.

Em 2018, a crise monetária reduziu em quase 30% do valor da lira e acentuou a recessão. Com a pandemia, o país registrou nova desvalorização de sua moeda, que teve a pior performance entre as emergentes neste ano.

O governo, contudo, reluta em aumentar taxas de juros para conter o aumento da inflação e os eminentes danos econômicos. Pelo contrário, a Turquia gastou bilhões de dólares de suas reservas em 2019 para tentar sustentar sua moeda ante o dólar.

Os oposicionistas já apontam a renúncia de Albayrak como o primeiro passo de uma “crise de Estado” e criticam a perda de independência do Banco Central, registrou a Reuters.

Tags: