Sem combustível, Venezuela aguarda chegada de dez navios petroleiros do Irã

Maior frota iraniana já enviada ao exterior dribla sanções dos EUA e tenta impedir escassez de combustível
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A Venezuela aguarda a chegada de dez navios petroleiros vindos do Irã, um esforço para conter a escassez de combustível no país. A flotilha iraniana é a maior já enviada ao exterior e desafia sanções dos EUA.

Fontes disseram à Al-Jazeera que algumas das embarcações devem ajudar na exportação do petróleo venezuelano depois de descarregar combustível no país. A frota é duas vezes maior que a enviada pelo Irã em maio, segundo a Marinha dos EUA.

O movimento acelera a dependência venezuelana do Irã depois que Rússia e China reduziram gradualmente o comércio, respeitando as sanções dos norte-americanos ao comércio com Caracas.

Sem combustível, Venezuela aguarda a chegada de 10 navios petroleiros do Irã
Refinaria de petróleo na cidade de Asaluyeh, Irã, em janeiro de 2016 (Foto: WikiCommons/Majmood Hosseini)

Além de enviar combustível, o Irã também discute formas de auxiliar a Venezuela a reformar a refinaria de Cardon. A usina é última a operar com certa regularidade em águas venezuelanas, disseram fontes à Al-Jazeera.

Teerã não quis comentar o assunto e a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela) não respondeu ao pedido de comentário.

Crise dos combustíveis

Os tempos de fornecimento de petróleo aos EUA com baixíssimos preços e alto lucro comercial se distaciam da realidade venezuelana há pelo menos dez anos.

Mergulhado em sanções, o país vive uma escassez acentuada de combustível, lida com filas em postos de gasolina, preços flutuantes e vê a sua estrutura de refinarias definhar dia após dia.

Com o cerco dos EUA, o presidente Nicolás Maduro, além de ter de importar o produto, ainda precisa exportar petróleo bruto para liberar espaço de armazenamento e evitar paradas nos campos.

Como grande parte do sistema de refinarias venezuelanas foi construído com equipamentos e mão de obra norte-americana até a nacionalização, em 1970, a manutenção dos equipamentos se tornou impossível após as sanções.

O declínio das seis refinarias do país é evidente. Derramamentos e acidentes fazem parte da rotina desde que o governo intensificou a pressão sobre a infraestrutura para manter o consumo local de combustível.

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