Diplomacia

Conselho de Segurança da ONU elege quatro membros não permanentes

Mandato dos países no órgão dura até o final de 2022; votação aconteceu nesta quarta (17) em Nova York

Índia, Irlanda, Noruega e México são os novos membros não permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A disputa entre os dois candidatos da África, Djibuti e Quênia, será decidida nesta quinta (18), já que nenhum dos dois países conseguiu maioria de dois terços dos votos.

A eleição aconteceu nesta quarta (17), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York. Os escolhidos iniciam seus dois anos no órgão em janeiro de 2021.

Estavam abertos cinco assentos para o órgão, de um total de dez: um para a África, um para Ásia-Pacífico, um para a América Latina e Caribe e dois para a Europa e outros países.

Os membros que deixam o Conselho são África do Sul, Indonésia, República Dominicana, Alemanha e Bélgica.

Conselho de Segurança da ONU elege cinco membros não permanentes até 2022
Reunião remota do Conselho de Segurança da ONU, em junho deste ano, sobre a situação na Síria (Foto: UN Photo/Eskinder Debebe)

Havia sete candidatos: Irlanda, Noruega, Canadá, México, Quênia, Djibouti e Índia. Todos os países já fizeram parte do Conselho ao menos uma vez.

O mais ativo é a Índia, que garantiu posição sete vezes, enquanto o mais novato é o Djibouti, integrante apenas no biênio 1993-1994. O México era o único candidato do bloco América Latina e Caribe.

Entre os países asiáticos, a Índia desta vez concorre sem oposição à vaga. Também é o caso do México entre os latino-americanos e caribenhos – desde 2007, as nações definem seu candidato único com antecedência.  

Disputas regionais

O continente africano tem direito a três assentos no total. Em geral, a escolha do candidato é definida pelo respaldo da União Africana e dos membros permanentes. 

Em 2019, o escolhido foi o Quênia, mas essa candidatura enfrenta a oposição do Djibouti, nação localizada no Chifre da África. O Djibouti argumenta que Nairóbi não respeitou o princípio de rotação entre os países.

Também houve disputa para as duas vagas entre os países do bloco da Europa ocidental e outras regiões. Concorreram Canadá, Irlanda e Noruega.

Para 2021

As tensões que já existem entre os membros permanentes, como a disputa entre EUA e China, devem prosseguir no próximo ano mesmo com a mudança no órgão. A avaliação é do think tank Council Security Report. 

O grupo ressalta a morosidade nas decisões do Conselho, em grande medida causadas pela falta de acordo entre os cinco membros com poder de veto: EUA, China, Reino Unido, França e Rússia.

Há alguns indicativos, baseados na postura histórica dos candidatos, que dão indicativos sobre o que pode estar por vir. 

O Quênia, por exemplo, deve privilegiar assuntos de segurança regional e jogar luz sobre a questão da Somália, que vive em guerra contra o grupo extremista Al-Shabab e em emergência humanitária há anos.

A Índia tem longo histórico de contribuição com as forças de paz da ONU, observa o think tank. Já países como Quênia, México e Noruega manifestaram-se a favor de discutir a mudança climática como um problema de segurança global.